IPO da Compass reflete estratégia da Cosan para conter crise de endividamento e juros altos
Aporte via abertura de capital da subsidiária busca aliviar endividamento bilionário e reestruturar finanças da holding de infraestrutura.

A Cosan utiliza o IPO da Compass para enfrentar uma crise de endividamento agravada por investimentos frustrados na Vale e a recuperação extrajudicial da Raízen.
Abertura de capital da Compass na bolsa brasileira, ocorrida nesta segunda-feira (11), surge como uma medida estratégica da Cosan para mitigar o cenário de crise financeira enfrentado pela holding. Operando com um endividamento elevado, o grupo utilizou a oferta pública inicial (IPO) para capitalizar-se e tentar equilibrar as contas, reduzindo sua fatia na subsidiária de gás e energia de 88% para aproximadamente 75%.
O desequilíbrio financeiro da Cosan intensificou-se a partir de decisões tomadas entre o final de 2022 e o início de 2023, marcadas pela aquisição de uma participação relevante na Vale. O investimento, financiado majoritariamente por dívidas que elevaram o passivo bruto para R$ 70,7 bilhões, não entregou o retorno esperado devido à desvalorização das ações da mineradora e à queda nos preços do minério de ferro. A alta das taxas de juros no Brasil também encareceu o custo desse crédito, forçando a companhia a iniciar a alienação de seus ativos na Vale para reduzir prejuízos.
Além dos percalços com a mineradora, a Cosan sofreu impactos diretos com a crise na Raízen, sua joint venture com a Shell. Abalada por problemas operacionais e eventos climáticos que prejudicaram a safra, a Raízen registrou quedas drásticas em seus resultados, culminando em um pedido de recuperação extrajudicial com dívidas que superam R$ 65 bilhões. Esse efeito dominó nas empresas do grupo explica por que o IPO da Compass foi focado em sobrevivência financeira e desalavancagem, em vez de expansão.






