Indústria critica fim da 'taxa das blusinhas' e alerta para retrocesso econômico
Entidades do setor produtivo criticam isenção de imposto para compras internacionais e alertam para risco de fechamento de vagas de trabalho.

Governo federal encerra imposto de 20% para compras internacionais de até 50 dólares. Setor industrial brasileiro critica medida, alertando para risco de desemprego e concorrência desigual.
O governo federal oficializou nesta terça-feira, por meio de Medida Provisória, a extinção do imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, popularmente conhecida como "taxa das blusinhas". A decisão, que já entrou em vigor, beneficia diretamente consumidores de plataformas estrangeiras como Shein e AliExpress, mas provocou uma reação imediata e contundente de entidades representativas da indústria e do varejo nacional.
Associações como a CNI, Abvtex e a Fiemg classificaram a medida como um retrocesso que gera concorrência desleal. Segundo o setor produtivo, a isenção favorece empresas estrangeiras que não possuem as mesmas obrigações tributárias e trabalhistas das companhias instaladas no Brasil. Estudos da Fiemg sugerem que a ausência dessa taxação pode colocar em risco mais de 1 milhão de postos de trabalho e reduzir o faturamento nacional em bilhões de reais.
Para o consumidor, a mudança traz alívio financeiro. Com a queda da alíquota federal, o custo final de um produto de US$ 50 deve cair de aproximadamente R$ 354 para R$ 295, mantendo-se apenas a incidência do ICMS estadual. No entanto, economistas alertam que a medida remove uma camada de proteção importante para os pequenos e médios negócios brasileiros, que já enfrentam altos custos operacionais e juros elevados.
A arrecadação federal também sentirá os reflexos da decisão. A taxa, criada em 2024, vinha batendo recordes de recolhimento, somando R$ 1,78 bilhão apenas no primeiro quadrimestre deste ano. A retirada desses recursos ocorre em um momento em que a equipe econômica busca cumprir as metas fiscais previstas no arcabouço fiscal, equilibrando as contas públicas diante das projeções de déficit para o atual mandato.




