Índia adota medidas de austeridade e home office para conter impactos da alta do petróleo
Crise no Oriente Médio força governo a pedir home office, redução de consumo e cortes em viagens internacionais.

Para conter a crise energética e a desvalorização cambial, o governo indiano pediu que cidadãos adotem o home office e reduzam gastos com ouro e combustível.
O governo da Índia anunciou um pacote de medidas de austeridade para enfrentar a disparada nos preços globais de energia provocada pelos conflitos no Oriente Médio. Em um pronunciamento raro, o primeiro-ministro Narendra Modi solicitou que a população priorize o trabalho remoto, limite viagens para o exterior e diminua o consumo de combustíveis fósseis. As diretrizes marcam uma mudança de postura no país, que historicamente foca em políticas de expansão econômica, mas que agora se vê pressionado pela alta nos custos de importação.
A vulnerabilidade indiana se deve à dependência externa: quase 90% do petróleo utilizado no país é importado, sendo que metade desse volume transita pelo Estreito de Ormuz, atualmente sob bloqueio parcial devido às tensões envolvendo o Irã. Além do combustível, o governo elevou as taxas de importação de ouro de 6% para 15%, visando conter a saída de dólares e proteger a rúpia. O impacto já chegou aos postos de combustível, com reajustes imediatos nos preços da gasolina, do diesel e do gás de cozinha em grandes centros como Nova Déli.
A reação dos cidadãos locais é dividida entre o ceticismo e a compreensão da crise. Enquanto moradores de centros urbanos como Calcutá questionam a viabilidade de reduzir ainda mais seus gastos domésticos, outros veem o apelo como uma precaução necessária contra riscos inflacionários. Diante do cenário, Modi iniciou uma série de visitas diplomáticas aos Emirados Árabes Unidos e à Europa, buscando firmar novos acordos energéticos e garantir a segurança das rotas comerciais marítimas essenciais para a economia do país.






