Fim do pagamento em dinheiro nos ônibus do Rio gera dificuldades para passageiros
Migração para sistema exclusivo de cartões e aplicativos causa transtornos em linhas pioneiras e tem prazo final para 30 de maio.

O Rio de Janeiro começou a proibir o pagamento em dinheiro nos ônibus municipais, gerando relatos de dificuldades entre passageiros da linha 634. A medida será expandida para toda a frota até o final de maio.
O sistema de transporte público da capital fluminense iniciou uma transição que extingue o papel-moeda como forma de pagamento nas linhas municipais. A linha 634, que conecta a Ilha do Governador à Tijuca, foi a pioneira na implementação da exclusividade eletrônica, permitindo o embarque apenas via cartões Jaé, Riocard ou QR Code por aplicativo. A medida, que deve ser estendida a toda a frota da cidade até o dia 30 de maio, já gera transtornos para usuários que foram pegos sem o cartão ou enfrentam dificuldades técnicas com os novos dispositivos.
Relatos de passageiros indicam uma série de obstáculos, desde a falta de pontos de recarga acessíveis até a exclusão de pessoas que não possuem familiaridade com tecnologias digitais ou que perderam seus bilhetes físicos. A partir do final deste mês, as regras para a integração tarifária também mudam: o benefício será restrito aos usuários do sistema Jaé (cartão preto ou aplicativo), mantendo-se o Riocard apenas para conexões entre diferentes municípios. Atualmente, cerca de 220 mil embarques diários no Rio de Janeiro ainda dependem de pagamentos em espécie, o que representa 8% do total de viagens.
Para mitigar as dificuldades de acesso, a Secretaria Municipal de Transportes anunciou que bancas de jornal em toda a cidade passarão a comercializar os cartões, somando-se às bilheterias e máquinas automáticas. A expectativa é que aproximadamente 2 mil pontos de venda estejam ativos em breve para cobrir a malha de paradas de ônibus. A gestão municipal também planeja levar a obrigatoriedade do pagamento eletrônico para o transporte complementar, como vans, embora ainda não tenha definido um cronograma oficial para essa etapa.
A situação foi tema de debate na Câmara dos Vereadores nesta terça-feira, onde uma audiência pública confrontou autoridades e representantes do setor de transportes sobre os impactos sociais da mudança. Enquanto a prefeitura defende a modernização e a segurança operacional, parlamentares e usuários manifestam preocupação com a agilidade na reposição de cartões e a assistência aos passageiros que permanecem retidos nos pontos sem alternativas imediatas de locomoção.






