É falso vídeo que simula pesquisa com Lula e Flávio Bolsonaro usando inteligência artificial
Publicações utilizam tecnologia de IA para forjar telejornal e inventar vantagem desproporcional em levantamento eleitoral.

Vídeo manipulado por inteligência artificial simula anúncio do Jornal Nacional com números falsos sobre disputa eleitoral entre Lula e Flávio Bolsonaro. Som e imagem foram forjados.
Um vídeo que circula nas redes sociais utilizando a técnica de manipulação digital conhecida como "deepfake" dissemina informações falsas sobre uma suposta pesquisa presidencial. O material simula uma edição do Jornal Nacional, da TV Globo, onde o apresentador Hélter Duarte anunciaria uma vantagem expressiva do presidente Lula (PT), com 72,9% das intenções de voto, contra 27,1% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Especialistas confirmam que tanto a imagem quanto o áudio foram gerados artificialmente para enganar o eleitor.
Ferramentas de detecção de Inteligência Artificial analisaram o conteúdo e apontaram altíssima probabilidade de fraude. O software Hiya indicou 99% de certeza de que a voz do jornalista foi simulada, enquanto o Hive Moderation confirmou a manipulação com 81,3% de precisão. O vídeo falso incentiva os usuários a interagirem com a publicação como forma de apoio ao candidato petista, uma estratégia comum para aumentar o alcance de desinformação em plataformas como TikTok, Instagram e Facebook.
Além da fraude técnica no vídeo, os números apresentados não têm qualquer fundamento na realidade. Levantamentos recentes realizados por institutos renomados, como Datafolha e Quaest, mostram um cenário de polarização muito mais equilibrado, com ambos os nomes tecnicamente empatados ou com pequena vantagem dentro da margem de erro. Em nenhuma pesquisa oficial Lula atingiu patamares superiores a 70% ou Flávio Bolsonaro registrou índices tão baixos quanto os citados na peça desinformativa.
Este não é o primeiro ataque desse tipo registrado no mês de maio. Versões anteriores do mesmo vídeo manipulado já haviam circulado com porcentagens ainda mais discrepantes, chegando a atribuir 83% de preferência ao atual presidente. Autoridades e agências de checagem reforçam a necessidade de verificar a veracidade de conteúdos audiovisuais antes de compartilhá-los, especialmente quando envolvem dados estatísticos que destoam drasticamente do noticiário oficial.





