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Falsos médicos causaram morte de paciente com dengue por falta de técnica em SP

Investigação da Polícia Civil aponta que impostores realizaram 2 mil atendimentos e causaram pelo menos nove mortes por falta de conhecimento técnico.

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Redação 360 Notícia
27 de maio de 2026 às 05:003 min
Falsos médicos causaram morte de paciente com dengue por falta de técnica em SP
Foto: Reprodução
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Investigação revela que falsos médicos realizaram mais de 2 mil atendimentos em São Paulo, resultando em pelo menos nove mortes. Entre as vítimas está uma fisioterapeuta com dengue que não recebeu socorro adequado durante parada cardíaca. Justiça afastou diretores do hospital envolvido.

Uma investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo revelou uma trama estarrecedora de exercício ilegal da medicina que resultou em episódios fatais na Zona Leste da capital paulista. O caso mais emblemático envolve a morte de uma fisioterapeuta diagnosticada com dengue, que veio a óbito após ser atendida por dois indivíduos que se passavam por médicos no Hospital de Clínicas Jardim Helena. Segundo as autoridades, a vítima sofreu uma parada cardíaca e os supostos profissionais não possuíam o conhecimento técnico básico necessário para realizar manobras de reanimação, o que selou o destino trágico da paciente em um momento de extrema vulnerabilidade.

Os detalhes do esquema foram apresentados durante a deflagração da Operação Hipócrates II. De acordo com o secretário da Segurança Pública, Nico Gonçalves, a rede de impostores era extensa e contava com ramificações familiares e possíveis ligações com o crime organizado. Marcos Phelipe de Barros, um dos principais investigados, utilizava documentos legítimos de um médico real para fraudar suas credenciais e atuar na unidade hospitalar. O agravante é que o pai de Marcos também é suspeito de exercer a profissão de forma ilegal. O segundo envolvido, Maike César Silva, fugiu para o Chile logo após o início das investigações e é atualmente considerado foragido pela justiça brasileira.

A gravidade da situação é amplificada pelo volume de atendimentos realizados pela dupla criminosa. Estima-se que, ao longo de dois anos, cerca de 2 mil pessoas tenham passado pelas mãos dos falsos médicos, resultando em pelo menos nove mortes confirmadas por negligência ou erro de procedimento. Além do caso da paciente com dengue, a polícia citou o óbito de uma mulher com problemas cardíacos que permaneceu oito horas em espera sem o exame adequado para detectar um aneurisma na aorta. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) foi categórico ao afirmar que a demora injustificada no diagnóstico correto e a imperícia médica foram as causas diretas da morte.

As investigações também miram a responsabilidade administrativa do Hospital de Clínicas Jardim Helena. O delegado José Mariano Filho destacou que os falsos médicos recebiam salários consideravelmente inferiores aos praticados no mercado para profissionais graduados, o que sugere que a direção da unidade poderia estar ciente da irregularidade para reduzir custos operacionais. Diante das evidências de omissão, a Justiça determinou o afastamento imediato da gestora e do diretor clínico do hospital. A polícia verificou ainda que Marcos Phelipe realizava consultas via telemedicina diretamente de sua residência, utilizando equipamentos que foram apreendidos para perícia, e que Maike César atuava de forma infiltrada no Samu de Taboão da Serra.

Para o leitor brasileiro, este caso acende um alerta vermelho sobre a fiscalização em unidades de saúde privadas e a segurança do paciente. O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) reforçou que o exercício ilegal da medicina é crime de competência policial e orientou que instituições e pacientes sempre consultem o Guia Médico oficial para validar o registro de profissionais (CRM). Enquanto a defesa dos acusados alega que eles possuem formações técnicas (biomedicina e instrumentação cirúrgica) e que a operação é "midiática", a polícia segue acumulando depoimentos e provas técnicas que indicam uma atuação deliberada e criminosa que custou vidas e expôs milhares de cidadãos ao risco.

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