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Centro do Recife terá mais de mil moradias populares sob gestão privada através de PPP

Projeto inédito de PPP prevê R$ 518 milhões em investimentos para reformar e construir unidades habitacionais com aluguel subsidiado.

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Redação 360 Notícia
27 de maio de 2026 às 05:003 min
Centro do Recife terá mais de mil moradias populares sob gestão privada através de PPP
Foto: Reprodução
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Consórcio privado vence leilão na B3 para gerir 1.128 moradias no Centro do Recife através de PPP inédita. Projeto foca em locação social e retrofit de prédios históricos com investimentos de R$ 518 milhões.

A capital pernambucana deu um passo decisivo em sua estratégia de revitalização urbana e redução do déficit habitacional com a realização de um leilão inédito na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo. O projeto "Morar no Centro", estruturado sob o modelo de Parceria Público-Privada (PPP), prevê a entrega de 1.128 moradias de interesse social em áreas estratégicas do Recife. O certame foi vencido pelo Consórcio Habitação Social Recife, formado pelas empresas CPM Construtora e Sanco Engenharia, que agora assume a responsabilidade de reformar, construir e realizar a manutenção de diversos imóveis por um período de 25 anos. O investimento total estimado para o ciclo da concessão supera a marca dos R$ 518 milhões, unindo recursos financeiros e expertise privada para resolver problemas crônicos de habitação na região central paulistana.

Historicamente, o Centro do Recife, englobando bairros como Santo Antônio, São José e Boa Vista, sofre com o esvaziamento populacional e a degradação de imóveis antigos. Muitos edifícios de valor histórico ou localizados em pontos privilegiados permanecem subutilizados, contribuindo para a sensação de insegurança e o declínio econômico da área. O projeto da Prefeitura do Recife busca reverter essa tendência ao atrair famílias para residir permanentemente no coração da cidade. A iniciativa é pioneira no Brasil ao focar especificamente na modalidade de locação social dentro de uma PPP, um modelo que difere da tradicional entrega de chaves do programa Minha Casa, Minha Vida, ao manter os imóveis sob gestão profissional e oferecer aluguéis que cabem no bolso da população de baixa renda.

Do montante total de investimentos, aproximadamente R$ 266 milhões serão destinados às intervenções de engenharia, que incluem obras de "retrofit" (modernização de edifícios antigos preservando a arquitetura) e novas edificações. Outros R$ 252 milhões serão aplicados ao longo das duas décadas e meia de contrato para garantir a zeladoria dos prédios, segurança patrimonial, limpeza e, fundamentalmente, o acompanhamento social das famílias beneficiadas. Ao todo, seis empreendimentos compõem o pacote inicial, localizados em terrenos ou prédios cedidos pela União e pelo Município. Destacam-se as unidades na Rua Siqueira Campos, a requalificação no cruzamento da Avenida Dantas Barreto e o grande complexo planejado para o bairro do Cabanga, que sozinho deve abrigar mais de 700 unidades habitacionais.

A política de locação social é o grande pilar do programa: 56% do total de apartamentos serão destinados a esta modalidade, onde o valor do aluguel não poderá comprometer mais do que 25% da renda familiar. O público-alvo são famílias com rendimento mensal de até 3,5 salários-mínimos, com prioridade para grupos em situação de vulnerabilidade, como mulheres chefes de família, pessoas LGBTQIAP+ vítimas de violência, idosos e residentes de áreas de risco. Para o leitor brasileiro, esse modelo representa uma inovação importante, pois resolve o problema da manutenção habitacional a longo prazo, frequentemente negligenciada em conjuntos populares. Além do uso residencial, os prédios terão fachadas ativas com lojas e serviços, além de equipamentos públicos como uma creche e uma nova sede para a Orquestra Criança Cidadã, fomentando a convivência urbana mista.

Com a conclusão do leilão, os próximos passos envolvem a assinatura do contrato e o início do cronograma de obras e retrofit. A expectativa é que essa injeção de capital e de novas moradias atue como um catalisador para novos investimentos privados no Centro do Recife, valorizando o comércio de rua e recuperando o patrimônio histórico. Para os moradores, a promessa é a dignidade de viver perto do trabalho e do transporte público, com infraestrutura de qualidade. O sucesso deste modelo em Pernambuco poderá servir de laboratório para outras capitais brasileiras que enfrentam o desafio de repovoar centros históricos esvaziados, transformando propriedades subutilizadas em ativos sociais e econômicos vitais para o desenvolvimento sustentável das metrópoles.

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