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Escala 6x1: Hugo Motta defende redução de jornada como política de saúde e avanço civilizatório

Proposta de Emenda à Constituição que reduz carga horária semanal para 40 horas foi aprovada na Câmara e agora segue para votação no Senado.

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Redação 360 Notícia
28 de maio de 2026 às 03:003 min
Escala 6x1: Hugo Motta defende redução de jornada como política de saúde e avanço civilizatório
Foto: Reprodução
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O presidente da Câmara, Hugo Motta, defendeu a PEC que acaba com a escala 6x1 e reduz jornada semanal para 40 horas, classificando a medida como um avanço civilizatório necessário para a saúde. O texto segue para o Senado Federal após aprovação em dois turnos pelos deputados.

A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas representa um marco nas discussões legislativas de 2024. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu enfaticamente a medida, classificando-a como uma política pública essencial voltada para a promoção da saúde do trabalhador brasileiro. O texto foi aprovado em dois turnos na Câmara nesta quarta-feira (27) e agora segue para apreciação do Senado Federal, onde precisará do apoio de pelo menos 49 senadores para se tornar lei definitiva.

A discussão ocorre em um contexto de intensa pressão popular e debates acalorados entre setores produtivos e movimentos em defesa dos direitos trabalhistas. Historicamente, mudanças na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou na Constituição Federal relativas a horários de serviço sofrem resistência de entidades patronais, que alegam riscos de inflação e perda da capacidade de investimento. Hugo Motta rebateu essas críticas traçando um paralelo histórico com outras conquistas civilizatórias, como a abolição da escravidão e a criação da própria Carteira de Trabalho. Segundo o parlamentar, o país tem capacidade de absorver o avanço e transformar a nova dinâmica laboral em um vetor de bem-estar social.

Um dos pontos centrais da proposta é o cronograma de transição estipulado no parecer do relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA). A redução das quatro horas semanais não ocorrerá de forma imediata, mas sim de maneira escalonada em um período de até 14 meses após a promulgação da PEC. Nos primeiros dois meses, a carga horária deverá cair duas horas; as outras duas horas serão reduzidas em um intervalo de até um ano após a primeira etapa. Esse mecanismo foi a solução encontrada para mediar o conflito entre o governo, que inicialmente desejava uma aplicação mais célere, e as confederações de empregadores, que pleiteavam um prazo maior de adaptação para os custos operacionais.

Para o mercado de trabalho brasileiro, as implicações são profundas. O texto estabelece que todos os trabalhadores terão direito a pelo menos duas folgas semanais, preferencialmente aos domingos. Esse modelo ataca diretamente a exaustiva escala 6x1, comum em setores como o comércio e o de serviços, onde o empregado trabalha seis dias seguidos para descansar apenas um. Hugo Motta destacou que o aumento da produtividade não está atrelado apenas à quantidade bruta de tempo permanecida no ambiente de trabalho. Ele pontuou que o Brasil figura entre os países com as maiores cargas horárias mundiais, mas apresenta estagnação de produtividade há décadas, o que sugere que o cansaço excessivo pode ser um fator limitante na eficiência econômica.

Entretanto, a regra não será universal. Ficam excluídos das novas diretrizes os profissionais com diploma de ensino superior que recebam remuneração superior a duas vezes e meia o teto do INSS (hoje em torno de R$ 21,1 mil). A justificativa para essa exceção é evitar o aumento do fenômeno conhecido como "pejotização" entre cargos de alta gestão e oferecer maior flexibilidade para funções de alta renda que não dependem obrigatoriamente de controle rígido de ponto. Para esses casos, os acordos individuais devem prevalecer sobre a norma geral de redução da jornada de 40 horas.

O próximo passo é a tramitação no Senado Federal, onde o debate deve ganhar novos contornos técnicos. Economistas alertam que a redução da jornada precisa vir acompanhada de investimentos síncronos em tecnologia e qualificação profissional para que o custo da mão de obra não pressione excessivamente os preços ao consumidor. Por outro lado, para o leitor brasileiro, a medida sinaliza uma mudança de paradigma: a valorização do tempo de descanso como fator de saúde mental e qualidade de vida, alinhando o país a tendências globais de redução da carga horária que já são realidade em diversas nações desenvolvidas.

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