Economia

Datafolha: 71% dos brasileiros ocupados não têm medo de perder o emprego

Com o desemprego em níveis historicamente baixos, sensação de segurança profissional atinge patamar recorde da última década.

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Redação 360 Notícia
28 de maio de 2026 às 04:003 min
Datafolha: 71% dos brasileiros ocupados não têm medo de perder o emprego
Foto: Reprodução
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Levantamento do Datafolha aponta que 71% dos brasileiros ocupados não temem perder o emprego, o melhor índice desde 2013. Com desemprego em 6%, confiança cresce entre servidores e idosos, embora pressão financeira sobre as contas domésticas ainda persista.

Uma nova sondagem realizada pelo instituto Datafolha revela um cenário de expressivo otimismo no mercado de trabalho brasileiro. Segundo o levantamento divulgado nesta quarta-feira (27), 71% dos cidadãos que exercem algum tipo de atividade remunerada acreditam que não correm o risco de serem demitidos ou de ficarem sem trabalho no curto prazo. Este índice representa o maior patamar de confiança registrado desde 2013, sinalizando que a sensação de segurança profissional retornou a níveis pré-crise econômica e pré-pandemia. Em contrapartida, apenas 19% dos entrevistados veem um risco elevado de perderem sua fonte de renda, enquanto 9% avaliam que existe alguma chance de desligamento.

Para compreender a relevância desses dados, é necessário observar o contexto macroeconômico atual. A pesquisa foi conduzida entre os dias 12 e 13 de maio, período em que a taxa de desocupação no Brasil se encontra em patamares historicamente baixos, girando em torno de 6%. Trata-se de uma recuperação notável quando comparada ao auge da crise sanitária da Covid-19, quando o desemprego assolou quase 15% da população ativa. O Datafolha ouviu 1.312 pessoas com 16 anos ou mais em 139 cidades brasileiras, focando exclusivamente na População Economicamente Ativa (PEA), que inclui assalariados com carteira assinada, trabalhadores informais, autônomos e empresários. A margem de erro é de três pontos percentuais.

Os recortes demográficos e sociais da pesquisa evidenciam nuances importantes sobre quem se sente mais seguro no emprego. O grupo dos funcionários públicos lidera o ranking de estabilidade percebida, com 84% de confiança. Entre os idosos com 60 anos ou mais, o índice de otimismo atinge 80%. No entanto, a segurança financeira ainda parece estar atrelada ao nível de renda: entre aqueles que ganham até dois salários mínimos, a percepção de que não haverá demissão cai para 65%. Já entre os brasileiros com renda superior a 10 salários mínimos, o sentimento de tranquilidade dispara para 75%, mostrando que a vulnerabilidade econômica ainda gera incertezas nas camadas mais pobres da base da pirâmide produtiva.

Historicamente, níveis de confiança superiores a 70% só foram registrados em momentos de forte crescimento econômico, como durante o segundo mandato de Luiz Inácio Lula da Silva e o início da gestão de Dilma Rousseff. O recorde absoluto da série histórica ocorreu em março de 2013, quando 75% dos trabalhadores não temiam o desemprego. Após esse período, o país enfrentou uma recessão severa que elevou a desocupação para dois dígitos por anos a fio. A comparação com o ano de 2019 é drástica: na época, apenas 58% dos brasileiros se diziam seguros no trabalho, refletindo uma economia que ainda patinava para se recuperar da crise interna. Hoje, a queda expressiva no medo do desemprego — que não assusta 58% dos ouvidos — sugere uma mudança profunda na psicologia do trabalhador braisleiro.

Apesar do horizonte favorável na manutenção dos postos de trabalho, o levantamento traz um alerta sobre o poder de compra e o bem-estar financeiro. Embora não temam a demissão, 60% dos brasileiros relatam dificuldades para quitar todas as contas do mês, e quase metade buscou algum tipo de bico ou renda extra recentemente. Esse fenômeno explica o forte apoio popular (71%) ao fim da escala de trabalho 6x1, pauta que avançou na Câmara dos Deputados. Para o leitor, os resultados do Datafolha indicam que o desafio atual do Brasil migrou da escassez de vagas para a qualidade da remuneração e do equilíbrio entre vida pessoal e profissional, pautas que devem dominar o debate público nos próximos meses.

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