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Complexidade geopolítica trava mercado de seguros na reta final para a Copa do Mundo de 2026

Com 48 seleções e três países-sede, o torneio de 2026 enfrenta dificuldades na contratação de apólices devido a riscos globais e logística transfronteiriça.

Antonio Marcos de Souza
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Antonio Marcos de Souza
9 de junho de 2026 às 21:003 min
Complexidade geopolítica trava mercado de seguros na reta final para a Copa do Mundo de 2026
Foto: Reprodução
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A Copa do Mundo de 2026 enfrenta desafios sem precedentes no mercado de seguros devido à instabilidade geopolítica e ao formato inédito em três países. Com 48 seleções, os riscos aumentam.

A preparação para a Copa do Mundo da Fifa de 2026, que promete ser a maior edição de todos os tempos, enfrenta desafios inéditos que vão muito além das quatro linhas. Com um formato expansivo que inclui 48 seleções e jogos distribuídos entre Estados Unidos, Canadá e México, a organização do evento esbarra agora em uma barreira burocrática e financeira: a complexidade do mercado de seguros. Especialistas do setor, ouvidos pela revista especializada The Insurer, apontam que a instabilidade geopolítica global e a natureza transfronteiriça da competição tornaram a contratação de apólices de contingência uma tarefa significativamente mais difícil e cara do que em edições anteriores.

O cenário geopolítico atual, marcado por tensões internacionais e polarizações, reflete diretamente na avaliação de risco das seguradoras. Diferente de edições sediadas em um único país, a gestão de riscos para 2026 precisa considerar três jurisdições distintas, com legislações próprias e níveis variados de exposição a ameaças externas e internas. O torneio será realizado em 16 cidades-sede, sendo 11 nos Estados Unidos, três no México e duas no Canadá. Essa fragmentação geográfica exige um planejamento logístico monumental, onde qualquer interrupção em um dos países pode gerar um efeito cascata em todo o cronograma da competição, elevando o prêmio dos seguros de cancelamento e interrupção de negócios.

As projeções econômicas em torno do evento justificam o nível de preocupação dos parceiros comerciais. De acordo com um estudo conjunto da Fifa e da Organização Mundial do Comércio (OMC), publicado em abril de 2025, a expectativa é de que o torneio atraia um público recorde de 6,5 milhões de pessoas. O impacto financeiro estimado é colossal, podendo injetar até US$ 40,9 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) das nações envolvidas. Com cifras tão elevadas em jogo, patrocinadores e organizadores estão sob pressão constante para garantir que todos os ativos, desde direitos de transmissão até a integridade física de torcedores e atletas, estejam devidamente resguardados contra imprevistos de grande escala.

Um dos pontos mais críticos levantados pelas seguradoras e corretores de contingências diz respeito à violência política e às possíveis interrupções sistemáticas nas viagens internacionais. O mercado de seguros está operando com uma cautela redobrada, analisando não apenas o risco de atos extremistas, mas também a estabilidade das infraestruturas de transporte e a fluidez das fronteiras durante o período do mundial. A necessidade de deslocamentos constantes entre três países norte-americanos cria uma vulnerabilidade logística que, segundo o mercado segurador, não era tão proeminente em Copas do Mundo passadas, onde o controle de fronteira única facilitava a mitigação de certos riscos operacionais.

Os próximos passos para o comitê organizador da Fifa e para as federações nacionais envolvem uma renegociação intensiva dos termos de cobertura. O objetivo é assegurar que o evento transcorra sem surpresas financeiras devastadoras em caso de eventos de força maior. Enquanto o mundo aguarda o apito inicial, os bastidores da Copa de 2026 seguem agitados por discussões sobre cláusulas contratuais, limites de indenização e estratégias de segurança cibernética, refletindo a nova realidade global onde o esporte é indissociável das complexidades políticas e econômicas mundiais.

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