Cade investiga fusão entre mineradora de Goiás e empresa dos EUA por terras raras
Negócio de US$ 2,8 bilhões envolve a extração de minerais estratégicos em Goiás e levanta debates sobre soberania e concorrência.

O Cade instaurou um procedimento para investigar a legalidade da venda da mineradora Serra Verde para a norte-americana USA Rare Earth. A transação de US$ 2,8 bilhões envolve a exploração estratégica de terras raras em Goiás e é alvo de questionamentos no STF.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu início a uma investigação para apurar possíveis irregularidades na venda da mineradora Serra Verde, situada em Minaçu (GO), para a norte-americana USA Rare Earth (USAR). O processo, classificado como Apuração de Ato de Concentração (APAC), visa verificar se a transação bilionária deveria ter sido submetida previamente à aprovação do órgão antitruste, evitando prejuízos à livre concorrência.
O negócio, avaliado em cerca de US$ 2,8 bilhões, envolve a criação de uma cadeia produtiva completa de terras raras — minerais essenciais para indústrias de alta tecnologia — fora do eixo asiático. A operação prevê que a empresa combinada controle desde a retirada do minério no solo goiano até a fabricação de ímãs de alta potência nos Estados Unidos e Europa. Além da fusão, um contrato de fornecimento exclusivo por 15 anos também está sob o escrutínio das autoridades brasileiras.
A transação tem gerado forte debate político e jurídico, com questionamentos sobre a soberania nacional e a titularidade dos recursos minerais, que pertencem à União. No Supremo Tribunal Federal (STF), uma ação movida pelo partido Rede Sustentabilidade contesta a validade do acordo, enquanto representantes do governo federal alertam para possíveis inconstitucionalidades em negociações diretas que envolvam o subsolo brasileiro sem a devida regulamentação.
Em sua defesa, a Serra Verde afirma que a parceria garante acesso a tecnologias de processamento inexistentes no Brasil e que as operações em Minaçu não sofrerão mudanças imediatas na gestão ou no quadro de funcionários. A empresa reitera que o depósito de argila iônica em Goiás é estratégico para a transição energética global, sendo fundamental para a fabricação de componentes de veículos elétricos e geradores de energia limpa.






