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'Você tem sido um gigante': Mensagens revelam promiscuidade entre ex-presidente do BRB e Banco Master

Diálogos obtidos pela PF detalham troca de imóveis de luxo por facilitação de negócios bilionários entre banco estatal e instituição privada.

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Redação 360 Notícia
27 de maio de 2026 às 03:003 min
'Você tem sido um gigante': Mensagens revelam promiscuidade entre ex-presidente do BRB e Banco Master
Foto: Reprodução
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Novas mensagens reveladas pela Polícia Federal mostram o nível de intimidade e a troca de favores entre o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, envolvendo imóveis de R$ 140 milhões e negociações suspeitas entre as instituições.

Investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) revelaram diálogos comprometedores que detalham a proximidade perigosa entre o então presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. As mensagens, extraídas de dispositivos eletrônicos e enviadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), mostram uma relação que transcendia o campo profissional, sugerindo uma troca de favores que envolvia a aquisição de imóveis de luxo em contrapartida à facilitação de negócios bilionários entre as duas instituições financeiras. Em um dos trechos mais emblemáticos, Costa chega a afirmar que os dois estavam "juntando as vidas", evidenciando o entrelaçamento de interesses pessoais e corporativos que agora é alvo do Judiciário.

O pano de fundo dessa investigação é a tentativa de compra de uma fatia majoritária do Banco Master pelo BRB, operação que previa a aquisição de 49% das ações ordinárias e o controle total das ações preferenciais da instituição privada. Poucos dias antes do conselho do BRB aprovar formalmente o negócio, em março de 2025, Vorcaro elogiou a postura de Costa, chamando-o de "gigante" em meio às pressões burocráticas para a finalização do contrato. A Polícia Federal sustenta que essa "gigante" atuação estava diretamente ligada à promessa de repasse de patrimônio imobiliário. Estima-se que pelo menos seis imóveis de alto padrão, avaliados em cifras que chegam a R$ 140 milhões, estivessem no centro das negociações entre o executivo público e o banqueiro.

As mensagens detalham, inclusive, a busca por moradias em áreas nobres de São Paulo, como o Itaim Bibi. Em novembro de 2024, Costa agradeceu a Vorcaro pela oportunidade de visitar um de seus apartamentos, mencionando que a experiência foi fundamental para garantir a tranquilidade de sua família no processo de mudança. Os investigadores apontam que essa dedicação mútua tinha um preço: enquanto Vorcaro providenciava as luxuosas acomodações para o presidente do banco estatal, Costa demonstrava agilidade incomum para estruturar compras de carteiras de crédito do Master, questionando abertamente qual era a "necessidade de caixa" do parceiro para viabilizar os aportes do BRB.

O impacto dessas revelações para o cenário financeiro e político brasileiro é profundo. O BRB é uma instituição de economia mista, controlada pelo Governo do Distrito Federal, e o uso de sua estrutura para beneficiar um banco privado em crise ou sem garantias robustas — o chamado "lastro" — configura descumprimento grave de normas de governança e crimes financeiros. Atualmente, ambos os protagonistas das conversas encontram-se presos. Paulo Henrique Costa está detido no Complexo Penitenciário da Papuda, sob suspeita de gestão temerária e corrupção, enquanto Daniel Vorcaro permanece na Superintendência da PF, respondendo também por acusações de formação de milícia privada para perseguir autoridades e jornalistas.

O desdobramento jurídico agora se concentra nas tentativas de delação premiada. Embora o corpo técnico da Polícia Federal tenha rejeitado inicialmente a proposta de colaboração feita por Vorcaro, o caso ainda pode sofrer reviravoltas na Procuradoria-Geral da República (PGR). Para os órgãos de controle e para o cidadão brasileiro, o caso serve como um alerta sobre a vulnerabilidade de bancos estatais a esquemas de apadrinhamento e corrupção sistêmica. Os próximos passos das investigações devem focar no rastreamento do fluxo financeiro que teria viabilizado a aquisição dos imóveis e na identificação de outros possíveis beneficiários dentro da estrutura do banco público.

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