Economia

Exclusão de pessoas LGBTQIA+ no mercado de trabalho custa R$ 94 bilhões ao Brasil

Inatividade e informalidade são maiores entre a comunidade, gerando prejuízo bilionário para a economia brasileira, mostra relatório inédito do Banco Mundial.

Por
Redação 360 Notícia
27 de maio de 2026 às 04:003 min
Exclusão de pessoas LGBTQIA+ no mercado de trabalho custa R$ 94 bilhões ao Brasil
Foto: Reprodução
Compartilhar

Pesquisa do Banco Mundial revela que desemprego entre LGBTQIA+ no Brasil é o dobro da média nacional, gerando uma perda anual de R$ 94,4 bilhões ao PIB. Estudo destaca que informalidade e preconceito no recrutamento afastam talentos do mercado formal.

Um levantamento inédito realizado pelo Banco Mundial revelou um cenário alarmante sobre as disparidades enfrentadas pela população LGBTQIA+ no mercado de trabalho brasileiro. Segundo o relatório, esse grupo demográfico registra índices de desemprego e de trabalho informal significativamente superiores aos da média nacional. A pesquisa, que entrevistou mais de 11 mil pessoas em todas as regiões do país, quantificou o impacto da exclusão e do preconceito, demonstrando que a barreira para a inserção profissional não é apenas uma questão de direitos individuais, mas um entrave para o crescimento econômico do Brasil. Os dados indicam que a taxa de desocupação entre pessoas LGBTQIA+ atinge 15,2%, representando praticamente o dobro do índice registrado para a população geral, que é de 7,7% conforme as métricas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2024.

A exclusão sistemática no ambiente corporativo reflete décadas de estigmatização e falta de políticas públicas e privadas de inclusão efetivas. Historicamente, a comunidade enfrenta dificuldades que começam na formação acadêmica e se estendem aos processos seletivos. O estudo destaca que a inatividade — quando a pessoa não está nem trabalhando nem buscando emprego ativamente — chega a 37,4% entre o público LGBTQIA+, enquanto a média nacional é de 33,4%. Esse afastamento forçado do mercado formal é frequentemente alimentado por experiências traumáticas anteriores ou pela percepção de que as empresas não oferecem ambientes psicologicamente seguros para a diversidade. Em termos financeiros, o Banco Mundial estima que o país deixa de arrecadar ou produzir cerca de R$ 94,4 bilhões anuais devido a essa exclusão, o que equivale a 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

A informalidade surge como uma rota de fuga e sobrevivência diante das portas fechadas no setor formal. Enquanto 40% dos trabalhadores brasileiros em geral estão na informalidade, esse número sobe para 46% entre a comunidade LGBTQIA+. O empreendedorismo por necessidade ou o trabalho autônomo (que alcança 30% desse nicho ante 25% da população geral) muitas vezes é a única alternativa para evitar o escrutínio discriminatório de gestores e departamentos de recursos humanos. Relatos colhidos na pesquisa mostram que a discriminação é mais acentuada durante as etapas presenciais de contratação, especialmente para pessoas trans. Muitas vezes, candidatos com currículos de excelência e alta performance são descartados no momento em que a identidade de gênero ou a expressão de gênero se torna visível aos olhos do recrutador, sob a justificativa de preservação da "cultura tradicional" da instituição.

Para aqueles que conseguem a contratação, os desafios persistem na forma de microagressões e barreiras psicológicas. Cerca de 72,7% dos entrevistados afirmaram já ter sofrido algum tipo de preconceito no local de trabalho. O ambiente hostil leva muitos profissionais a adotarem o "ocultamento estratégico" de suas identidades para evitar demissões sem justificativa ou assédio moral. Esse comportamento de autocensura gera um custo mental elevado, resultando em altos índices de burnout, ansiedade e depressão, o que prejudica diretamente a produtividade. Além disso, a pesquisa aponta que sete em cada dez profissionais deixam de se candidatar a vagas por receio de que a empresa não suporte sua segurança psicológica, preferindo permanecer em cargos com remuneração inferior ou na informalidade do que se submeter a ambientes tóxicos.

O cenário demanda uma mudança estrutural imediata tanto no setor público quanto no privado para reverter as perdas bilionárias e garantir dignidade laboral. Especialistas do setor de diversidade e inclusão argumentam que o argumento econômico apresentado pelo Banco Mundial serve como um catalisador para que lideranças empresariais compreendam que a diversidade não é apenas uma diretriz ética, mas uma necessidade de desenvolvimento nacional. Nos próximos anos, espera-se que a divulgação desses dados pressione por legislações mais robustas contra a discriminação no recrutamento e incentive empresas a irem além de discursos superficiais de marketing, investindo em treinamento de lideranças e em canais de denúncia eficazes. Sem uma transformação profunda, o Brasil continuará desperdiçando talentos e prejudicando sua própria performance econômica global.

#LGBTQIA+#mercado de trabalho#desemprego#informalidade#Banco Mundial#PIB Brasil#economia#diversidade e inclusão#preconceito no trabalho

Leia também