Vereadora denuncia violência política após ter microfone arrancado em Porto Alegre
Confusão no plenário ocorreu após parlamentar do PT mencionar áudios vazados do senador Flávio Bolsonaro durante debate sobre o Plano Diretor.

Uma discussão na Câmara de Porto Alegre terminou com o vereador Mauro Pinheiro arrancando o microfone da vereadora Juliana de Souza. O caso, motivado por citações a Flávio Bolsonaro, resultou em uma denúncia no Conselho de Ética por violência política de gênero.
A Câmara Municipal de Porto Alegre tornou-se palco de um grave desentendimento entre parlamentares durante a análise das diretrizes do Plano Diretor da capital gaúcha. A vereadora Juliana de Souza (PT) teve seu microfone removido bruscamente das mãos pelo colega Mauro Pinheiro (PP). O incidente ocorreu no momento em que a parlamentar utilizava seu tempo de fala para mencionar áudios vazados envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o empresário Daniel Vorcaro, material que havia sido divulgado recentemente pela imprensa.
O tumulto começou após um discurso da vereadora Comandante Nádia (PL), que criticava a postura da oposição no debate municipal. Ao solicitar um aparte para responder, Juliana começou a relacionar o nervosismo da ala governista à exposição das conversas do senador. Foi nesse instante que Pinheiro interveio fisicamente, interrompendo a fala da vereadora ao puxar o equipamento. O ato gerou indignação imediata no plenário e forçou a suspensão temporária dos trabalhos legislativos para que a ordem fosse estabelecida.
Diante do ocorrido, a bancada do Partido dos Trabalhadores formalizou uma representação na Comissão de Ética da Casa. Juliana de Souza classifica o episódio como um caso de violência política de gênero, argumentando que a atitude reflete uma tentativa de silenciamento e um mau exemplo para a sociedade. Ela destaca que o desrespeito no ambiente público pode ser um reflexo de comportamentos agressivos que se estendem à esfera privada, contribuindo para uma cultura de intolerância contra mulheres.
Por outro lado, o vereador Mauro Pinheiro nega qualquer motivação discriminatória ou de gênero em sua conduta. Em nota oficial, o parlamentar defendeu que sua ação teve caráter estritamente regimental, com o objetivo de manter o foco da sessão no tema que estava sendo votado. Pinheiro alega que a fala da colega estava distorcendo a pauta do dia e que sua intervenção visava preservar a organização dos trabalhos na Câmara Municipal, rechaçando a acusação de violência política.






