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Hantavirose: os perigos da doença que silenciosamente desafia a saúde no Brasil

Com letalidade próxima de 50% no país, doença volta ao debate após morte em Minas Gerais e surto inédito em navio de expedição.

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Redação 360 Notícia
15 de maio de 2026 às 06:002 min
Hantavirose: os perigos da doença que silenciosamente desafia a saúde no Brasil
Foto: Reprodução
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A confirmação de morte em MG e surto em cruzeiro internacional alertam para a alta letalidade do hantavírus, que atinge quase 50% no Brasil e exige diagnóstico rápido.

A recente confirmação de uma morte por hantavirose em Minas Gerais, ocorrida em fevereiro, trouxe novamente o alerta sobre a gravidade desta doença silenciosa no Brasil. O diagnóstico, concluído apenas três meses após o óbito, exemplifica o desafio enfrentado pelas autoridades de saúde: com sintomas iniciais que mimetizam gripe ou dengue, a infecção frequentemente só é identificada em estágios fatais. No país, o índice de letalidade oficial beira os 46,5%, mas especialistas sugerem que a subnotificação pode esconder uma realidade ainda mais severa.

Paralelamente ao cenário nacional, o hantavírus ganhou repercussão global devido a um surto inédito no navio holandês MV Hondius. A embarcação, que realizava uma expedição pela Antártida, registrou mortes e casos da doença entre passageiros, levando à recusa de atracação em portos europeus. A suspeita é de que o contágio tenha ocorrido em terra firme, na Argentina, onde circula a variante Andes — a única conhecida por permitir a transmissão interpessoal em contatos muito próximos, diferentemente das cepas brasileiras.

No Brasil, a transmissão ocorre principalmente pela inalação de partículas suspensas de fezes, urina ou saliva de roedores silvestres, especialmente em ambientes rurais fechados como paióis e depósitos. O vírus não é transmitido por picadas de insetos ou água contaminada, mas exige cuidado redobrado em atividades do campo. Como não há tratamento antiviral específico ou vacina disponível no continente americano, o suporte médico imediato em unidades de terapia intensiva é a única forma de aumentar as chances de sobrevivência.

A prevenção baseia-se em medidas simples de higiene e ventilação. Recomenda-se arejar locais fechados por longos períodos antes de entrar e utilizar soluções desinfetantes para umedecer o chão antes de varrer, evitando a suspensão de poeira contaminada. A conscientização sobre o histórico de exposição rural é crucial para que médicos possam considerar a hantavirose como hipótese diagnóstica precoce, diferenciando-a de outras enfermidades sazonais menos letais.

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