PF identifica esquema de gratificações a grupo de intimidação ligado a Daniel Vorcaro
Investigação revela bônus financeiro a milicianos e divisão de tarefas em grupo criminoso comandado por banqueiro.

Investigações da Polícia Federal detalham a estrutura de milícia mantida pelo banqueiro Daniel Vorcaro para ameaçar adversários e realizar ataques digitais.
Documentos desdobrados da Operação Compliance Zero revelam detalhes sobre o funcionamento de uma organização criminosa que atuava em favor de Daniel Vorcaro. De acordo com informações contidas na decisão do ministro André Mendonça, do STF, o banqueiro teria efetuado repasses financeiros disfarçados de gratificações natalinas para membros do núcleo "A Turma". Este braço da quadrilha era encarregado de exercer coação física e ameaças diretas contra indivíduos que contrariassem os interesses comerciais e pessoais do investigado.
A estrutura paralela mantida por Vorcaro contava com divisões bem definidas. Além do grupo focado em intimidações presenciais, existia ainda o núcleo batizado de "Os Meninos", especializado em infrações digitais, como ataques a redes, suspensão de perfis na internet e vigilância telefônica sem autorização judicial. As investigações da Polícia Federal mostram que ex-servidores de segurança e agentes da ativa participavam ativamente do esquema, utilizando-se de cargos públicos para consultar dados internos e transferir informações sensíveis ao topo da pirâmide organizacional.
Mensagens interceptadas detalham pagamentos realizados por Marilson Roseno, policial aposentado, a colegas da ativa, referidos como "oferendas". Entre os alvos da última fase da operação estão delegados e agentes federais, suspeitos de alimentar o sistema clandestino liderado pelo banqueiro. A polícia também identificou conexões com figuras ligadas à exploração do jogo do bicho no Rio de Janeiro, o que reforça o caráter multidisciplinar da rede criminosa no acesso a sistemas governamentais e na execução de vigilância clandestina.






