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Taxas de homicídio em grandes cidades da região de Ribeirão Preto superam média estadual

Dados do Atlas da Violência 2026 indicam que Franca e Sertãozinho elevaram os índices regionais, superando a taxa média estadual.

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Redação 360 Notícia
27 de maio de 2026 às 07:003 min
Taxas de homicídio em grandes cidades da região de Ribeirão Preto superam média estadual
Foto: Reprodução
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O Atlas da Violência 2026 revela que Franca, Sertãozinho, Ribeirão Preto e Barretos ultrapassaram a média de homicídios do estado de São Paulo em 2024. O estudo destaca Franca com o índice mais alto e aponta a influência de registros ocultos na contagem final.

O cenário da segurança pública no interior paulista acendeu um sinal de alerta com a divulgação do Atlas da Violência 2026. O estudo, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) conjuntamente com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aponta que as principais cidades da região de Ribeirão Preto registraram taxas de homicídios superiores à média do estado de São Paulo. Os dados, que tomam como base o ano de 2024, revelam discrepâncias significativas entre o desempenho estadual e a realidade local de municípios como Franca, Sertãozinho e Barretos, além da própria Ribeirão Preto, evidenciando desafios regionais no combate à criminalidade violenta.

De acordo com o levantamento, enquanto o estado de São Paulo manteve índices proporcionalmente baixos em comparação ao resto da federação, o recorte regional apresentou números preocupantes. A taxa média do estado ficou em 6,6 crimes por 100 mil habitantes, mas as cidades polo do interior ultrapassaram essa marca. O caso mais emblemático é o de Franca, que registrou um índice alarmante de 15,4 homicídios por 100 mil habitantes. Em números absolutos, Franca contabilizou 56 crimes violentos, uma marca idêntica à de Ribeirão Preto (57), apesar de possuir apenas metade da população da metrópole regional. Essa proporção coloca o município em uma posição de vulnerabilidade estatística muito superior à de seus vizinhos.

Um fator determinante para o aumento desses índices foi a adoção de uma nova metodologia baseada em aprendizado de máquina (machine learning) pelos pesquisadores para identificar o que chamam de "registros ocultos". Esse critério contabiliza mortes violentas por causa indeterminada que possuem características de homicídio. Em Franca, por exemplo, dos 56 casos computados, 38 foram identificados por essa via tecnológica, enquanto apenas 18 constavam nos registros oficiais convencionais. Esse aprimoramento na coleta de dados sugere que a violência real pode ser maior do que a percebida anteriormente por métodos burocráticos tradicionais, o que ajuda a explicar o salto no índice de Franca, que era de 11,3 no levantamento anterior.

Outro destaque negativo foi Sertãozinho. A cidade experimentou uma elevação drástica em seu indicador de violência, saltando de 1,5 para 12,9 homicídios por 100 mil habitantes entre 2023 e 2024. Com uma população estimada em 131,6 mil pessoas, a cidade registrou 17 crimes dessa natureza no período analisado. Na contramão dessa tendência de alta, Ribeirão Preto foi o único grande município da região a apresentar uma ligeira melhora, com o índice recuando de 8,3 para 7,8. Barretos, por sua vez, manteve estabilidade com taxa de 7,1. Embora esses números regionais assustem se comparados à média estadual, eles ainda permanecem abaixo da média nacional, que foi de 20,1 homicídios por 100 mil habitantes em 2024, o patamar mais baixo do Brasil nos últimos 11 anos.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) manifestou-se sobre os dados destacando que a região abrangida pelo Deinter 3 (Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior) apresenta, no longo prazo, uma tendência de queda histórica no crime doloso. A pasta argumenta que, entre 2025 e 2026, a taxa regional média foi de 5,23 casos por 100 mil habitantes, uma redução drástica de 66% em comparação ao início dos anos 2000. O governo ressalta o uso de ferramentas de inteligência, como o programa SPVida, e o policiamento ostensivo como pilares para a redução desses índices. Contudo, o contraste entre os dados governamentais e o Atlas da Violência reforça a necessidade de um debate profundo sobre a transparência na classificação das mortes violentas e a eficácia das políticas de segurança no interior do estado frente às novas dinâmicas criminais.

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