Saídas da poupança atingem R$ 41,7 bilhões no primeiro quadrimestre do ano
Saques superam depósitos motivados por inadimplência das famílias e concorrência com investimentos mais rentáveis.
De acordo com o Banco Central, a caderneta de poupança registrou uma saída líquida de R$ 41,7 bilhões entre janeiro e abril, motivada pelo endividamento das famílias e baixa rentabilidade.
O volume de saques nas cadernetas de poupança superou o de depósitos em R$ 41,7 bilhões no primeiro quadrimestre deste ano, segundo dados divulgados pelo Banco Central. Entre janeiro e abril, os clientes bancários retiraram aproximadamente R$ 1,43 trilhão, enquanto os aportes ficaram na casa de R$ 1,39 trilhão. Apesar do saldo negativo expressivo, o montante de evasão é inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior, quando as retiradas líquidas atingiram R$ 52,1 bilhões.
A fuga de capital da aplicação mais popular do Brasil é impulsionada pelo alto índice de inadimplência das famílias. Estimativas da Serasa Experian indicam que quase metade da população brasileira possui algum tipo de dívida pendente, somando um passivo bilionário concentrado, principalmente, em instituições financeiras. Para tentar mitigar esse cenário, o governo federal aposta no programa Desenrola 2.0, que permite a renegociação de débitos para quem recebe até cinco salários mínimos e autoriza o uso parcial do FGTS para a quitação das pendências.
Além da necessidade de pagar contas, a poupança enfrenta uma crise de competitividade diante das atuais taxas de juros. Com a Selic em patamares elevados, o rendimento da caderneta acaba sendo superado por outras opções de renda fixa, como títulos públicos e Certificados de Depósito Interbancário (CDI). O mercado de ações também tem atraído investidores, apresentando uma valorização robusta no acumulado do ano, o que reduz o interesse pela rentabilidade limitada do modelo tradicional de economia.






