Purê de feijão em almoço de Lula e Trump gera debate sobre tradições culinárias
Acompanhamento de feijão-preto em formato de pasta, tradicional na culinária mexicana, gerou curiosidade por sua semelhança com o tutu mineiro.

O acompanhamento de feijão-preto em estilo purê servido durante o encontro entre Lula e Trump na Casa Branca causou surpresa no Brasil, mas tem origens históricas na culinária mexicana.
A recente recepção diplomática do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo mandatário americano Donald Trump, na Casa Branca, chamou a atenção por um detalhe gastronômico inusitado. O cardápio servido na última quinta-feira contou com um purê de feijão-preto acompanhando o prato principal de filé bovino. A textura pastosa e densa do ingrediente, tão comum no prato do brasileiro em sua forma caldosa, gerou curiosidade e diversos comentários nas redes sociais sobre a escolha da iguaria.
Embora cause estranhamento no paladar brasileiro convencional, a receita tem raízes profundas na América Central e no México, onde é conhecida como 'frijoles negros refritos'. O preparo, herdado de civilizações como os maias e astecas, consiste em processar os grãos e refogá-los intensamente em gordura. Além do feijão, a entrada do almoço trouxe a jicama, uma raiz mexicana, confirmando a intenção da cozinha da Casa Branca em homenagear a tradição culinária mesoamericana durante o encontro oficial.
Apesar de parecer exótico à primeira vista, o prato possui um equivalente histórico bem conhecido na culinária de Minas Gerais: o tutu. A técnica de amassar o feijão e refogá-lo com temperos e farinha guarda semelhanças com o preparo centro-americano, embora o clássico mineiro utilize preferencialmente o feijão carioca e apresente uma consistência ligeiramente diferente. O episódio serviu para destacar como um alimento onipresente no Brasil pode assumir identidades culturais diversas conforme a geografia.






