Presidente do BC afirma que PIX estimula mercado de cartões ao ampliar inclusão financeira
Gabriel Galípolo declarou no Senado que o sistema de pagamentos instantâneos favoreceu a inclusão financeira e não prejudica operadoras de cartão.
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, afirmou que o PIX impulsionou o uso de cartões de crédito ao incluir mais brasileiros no sistema bancário, rebatendo críticas de que o sistema prejudica empresas estrangeiras.
Em audiência realizada nesta terça-feira (19) na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu a coexistência entre o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro e os meios tradicionais de financiamento. Segundo o dirigente, ao contrário do que sugerem análises de concorrência, o PIX atuou como uma porta de entrada para cidadãos antes excluídos do sistema financeiro, o que acabou por impulsionar também a utilização dos cartões de crédito.
Galípolo explicou que o processo de bancarização promovido pela ferramenta digital permitiu que uma parcela maior da população passasse a ter acesso a serviços bancários estruturados. Com mais brasileiros possuindo contas ativas e histórico financeiro, as instituições registraram uma expansão no volume de crédito concedido através dos cartões, refutando a tese de que uma tecnologia estaria canibalizando a outra no mercado interno.
A declaração ocorre em um contexto de pressão externa, especialmente vinda dos Estados Unidos. Autoridades americanas têm manifestado preocupação com a hegemonia do PIX, alegando que o sistema regulado pelo BC poderia oferecer vantagens competitivas desleais frente a operadoras globais de pagamentos, como Visa e Mastercard. Relatórios recentes da Casa Branca e do Escritório do Representante de Comércio dos EUA chegaram a classificar as práticas brasileiras como potencialmente prejudiciais às empresas estrangeiras.
Apesar das críticas internacionais de que o governo brasileiro favoreceria sua própria plataforma em detrimento de alternativas privadas, o Banco Central mantém o posicionamento de que a tecnologia é um motor de inclusão. O debate ganha relevância após o governo de Donald Trump iniciar investigações comerciais que citam serviços de pagamentos eletrônicos estatais como barreiras ao livre comércio, colocando o modelo brasileiro no centro de uma disputa diplomática e econômica.





