Portal Único deve gerar economia de R$ 40 bilhões anuais ao comércio exterior, afirma Alckmin
Ministro afirma que modernização do Siscomex até dezembro combaterá gargalos logísticos e reduzirá custos operacionais em exportações e importações.

Geraldo Alckmin projeta economia bilionária com a conclusão do Portal Único de Comércio Exterior até o fim de 2024. A medida visa reduzir a burocracia e aumentar a competitividade da indústria nacional, transformando o Brasil em um hub logístico para o mercado internacional.
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou nesta segunda-feira (25) o impacto econômico direto da modernização dos fluxos comerciais brasileiros. Durante uma visita oficial à cidade de Rio Claro, no interior de São Paulo, Alckmin afirmou que a implementação definitiva do Portal Único de Comércio Exterior (Siscomex), prevista para ser concluída até dezembro deste ano, tem o potencial de gerar uma economia de R$ 40 bilhões anuais para o país. Essa redução de gastos abrange tanto as operações de exportação quanto as de importação, atacando diretamente gargalos históricos de logística e burocracia que encarecem a produção nacional.
A declaração ocorreu em um momento simbólico para a indústria local: o anúncio de novos investimentos e a criação de postos de trabalho na unidade da Whirlpool, conglomerado que detém as marcas Brastemp e Consul. O ministro vinculou a eficiência do comércio exterior à capacidade de atração de capital produtivo, observando que a agilidade alfandegária é determinante para que o Brasil se torne um centro de exportação global. Segundo o vice-presidente, cada dia de atraso no desembaraço de mercadorias em portos ou aeroportos representa um custo adicional de aproximadamente 0,8% sobre o valor da carga. Em um cenário onde produtos ficam retidos por dez dias, o prejuízo acumulado chega a 8%, minando a margem de lucro das empresas e a viabilidade dos produtos brasileiros no exterior.
O Portal Único de Comércio Exterior é uma das principais apostas do governo federal para o enfrentamento do chamado "Custo Brasil". O projeto visa integrar todos os órgãos anuentes em uma interface digital simplificada, eliminando a necessidade de múltiplos preenchimentos de dados e reduzindo o tempo de espera para liberação de mercadorias. Historicamente, a burocracia brasileira é apontada como um dos maiores entraves para a competitividade da indústria de transformação. Ao centralizar os processos, o governo espera não apenas reduzir custos operacionais, mas também conferir maior previsibilidade aos empresários, facilitando o planejamento logístico e o cumprimento de prazos em contratos internacionais.
Para o leitor brasileiro, a relevância dessa medida ultrapassa as planilhas das grandes corporações. A eficiência no comércio exterior reflete na geração de empregos, como exemplificado pelas 200 novas vagas anunciadas na fábrica de Rio Claro, e na balança comercial do país. Alckmin reforçou que setores vitais da economia, como o aeroespacial — citando especificamente a Embraer — e a indústria de defesa, dependem intrinsicamente do mercado externo para manter suas operações saudáveis. Sem a capacidade de vender para o mundo, muitas dessas indústrias teriam escalas reduzidas, o que tornaria os produtos mais caros também para o consumidor doméstico.
Além da desburocratização administrativa, o ministro sinalizou que o fortalecimento da indústria nacional está atrelado à expansão de acordos comerciais estratégicos. Ele mencionou as parcerias recentes do Mercosul com Singapura e com os países da Associação Europeia de Livre Comércio (Efta), além das negociações em curso com a União Europeia. O objetivo central é posicionar o Brasil não apenas como exportador de commodities, mas como um "hub" de manufaturados para a América Latina e outras regiões. Com a finalização do Portal Único em dezembro, o governo espera abrir um novo ciclo de competitividade para que as empresas brasileiras possam disputar mercados em igualdade de condições logísticas com competidores de países desenvolvidos.





