Polícia Civil deflagra Operação Icarus contra logística financeira de facção em 4 estados
Ação conjunta nos estados do RJ, SP, MG e AL mira fornecedores de drogas e movimentação financeira de R$ 70 milhões da facção criminosa.


Operação Icarus cumpre mandados em quatro estados brasileiros para desarticular rede logística da facção Comando Vermelho, que movimentou R$ 70 milhões. Principais lideranças foram presas.
Uma grande ofensiva coordenada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, com o apoio de forças de segurança de outros três estados, foi deflagrada nesta terça-feira para desmantelar uma robusta rede de logística e financiamento ligada à facção criminosa Comando Vermelho. Denominada Operação Icarus, a ação mira uma estrutura responsável pelo fornecimento sistemático de entorpecentes e que, segundo as investigações, movimentou aproximadamente R$ 70 milhões em um curto período. O foco principal é interromper o fluxo de abastecimento que sustenta diversas comunidades controladas pelo grupo criminoso em território fluminense, atacando diretamente a capacidade financeira e operacional da organização.
A operação mobilizou centenas de agentes para o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão em endereços situados nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Alagoas. Até o momento, as autoridades confirmaram a prisão de seis indivíduos que desempenhavam funções estratégicas na hierarquia do tráfico. Entre os detidos, destaca-se a figura de Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, conhecido pelo apelido de "Boss". Ele foi localizado e capturado em Maceió, capital alagoana, na segunda-feira, véspera da deflagração principal da operação. As investigações apontam "Boss" como um articulador central da logística do grupo, mantendo conexões diretas com a cúpula da facção.
O ponto de partida para o desmembramento desta célula criminosa ocorreu após a apreensão de documentos e anotações pertencentes a Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, o "My Thor", apontado como uma das lideranças históricas e influentes da organização. A análise minuciosa desses registros revelou a complexidade do esquema, permitindo que a polícia identificasse as rotas de transporte, os fornecedores e os responsáveis pela gestão dos ativos financeiros. A partir desses dados, os investigadores conseguiram traçar o caminho do dinheiro, que era pulverizado em diversas contas para dificultar o rastreio por parte dos órgãos de controle financeiro.
Os detalhes levantados pela Polícia Civil indicam que a rede operava com um nível de sofisticação empresarial, dividindo tarefas entre a aquisição da droga em regiões produtoras ou de fronteira, o armazenamento em estados vizinhos e a distribuição final nos grandes centros urbanos. A movimentação de R$ 70 milhões é considerada expressiva e demonstra a capilaridade da facção para além das divisas estaduais. Com a Operação Icarus, a polícia espera não apenas prender os executores, mas também asfixiar o suporte logístico que permite a manutenção das guerras entre facções e o domínio territorial em áreas periféricas do Rio de Janeiro.
Após a conclusão das prisões e apreensões deste dia, o material recolhido — que inclui dispositivos eletrônicos, documentos contábeis e possíveis ativos de valor — passará por perícia técnica. A Polícia Civil e o Ministério Público devem trabalhar conjuntamente para identificar novos elos da cadeia de comando e verificar se o montante movimentado pode ser ainda superior ao inicialmente estimado. Os próximos passos da investigação devem focar na lavagem de dinheiro, buscando empresas de fachada ou laranjas que possam ter sido utilizados para integrar o capital ilícito à economia formal. As autoridades reiteram que a cooperação interestadual permanecerá ativa para prevenir que novos fornecedores ocupem o vácuo deixado pelas prisões de hoje.
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Sobre este conteúdo
Autor: Antonio Marcos de Souza
Publicado: 22 de setembro de 2026 às 08:00
Atualizado: 22 de setembro de 2026 às 08:00
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