Economia

Planalto projeta encontro entre Lula e Trump no G7 para conter ofensiva tarifária dos EUA

Lula buscará diálogo direto com republicano na França para tentar barrar sobretaxas de até 37,5% sobre produtos brasileiros.

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Redação 360 Notícia
3 de junho de 2026 às 20:003 min
Planalto projeta encontro entre Lula e Trump no G7 para conter ofensiva tarifária dos EUA
Foto: Reprodução
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O governo brasileiro aposta em um encontro 'inevitável' entre Lula e Donald Trump durante a cúpula do G7 na França para tratar de crises comerciais. O Brasil enfrenta a ameaça de novas tarifas americanas que podem atingir 37,5% sobre produtos nacionais, elevando a tensão diplomática entre as nações.

O Palácio do Planalto confirmou a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima cúpula do G7, que ocorrerá em Evian, na França, entre os dias 15 e 17 de junho. O anúncio, feito nesta quarta-feira (3), carrega uma expectativa estratégica nos bastidores do governo brasileiro: a realização de um encontro presencial com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Embora não exista uma agenda formalizada entre as duas lideranças, assessores presidenciais avaliam que, devido ao formato restrito do evento, um diálogo face a face será inevitável, representando uma oportunidade crucial para o Brasil tentar reverter o recrudescimento das barreiras comerciais impostas pela Casa Branca.

O contexto diplomático atual é de forte tensão econômica. Recentemente, investigações de órgãos do governo norte-americano listaram o Brasil entre 60 nações acusadas de falhas na fiscalização e proibição de mercadorias produzidas mediante trabalho forçado. A conclusão desse relatório resultou na proposta de uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. Esse novo encargo se soma a uma outra tarifa já proposta anteriormente, de 25%, embasada em alegações de que o Brasil adota políticas que restringem o livre comércio. Somadas, as sanções podem elevar a carga tributária sobre produtos nacionais a 37,5%, patamar próximo ao teto histórico de 40% verificado no ano anterior.

A participação de Lula no G7 — grupo que reúne as maiores economias industrializadas do mundo: Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão — ocorre a convite do presidente francês Emmanuel Macron. Desde seu retorno à presidência em 2023, Lula tem sido um convidado frequente nas reuniões do bloco, buscando consolidar o Brasil como um porta-voz do chamado Sul Global. No entanto, o embate direto com a administração Trump surge como um desafio diplomático de primeira ordem. Durante uma reunião ministerial recente, Lula afirmou que não foi notificado oficialmente sobre as novas taxas e declarou que o país "não pode aceitar" o tratamento dispensado pelos norte-americanos, classificando a situação como uma surpresa negativa para as relações bilaterais.

Além da questão comercial, o clima político entre Brasília e Washington tem passado por momentos de fricção. Lula não poupou críticas a figuras proeminentes do governo Trump, como o Secretário de Estado Marco Rubio, a quem chegou a se referir como um "latino-americano frustrado" em declarações passadas. Agora, no palco internacional da França, o presidente brasileiro pretende usar a diplomacia presidencial para desarmar a ofensiva tarifária. A estratégia consiste em enviar uma nova carta formal a Trump e reforçar, pessoalmente, que o Brasil cumpre normas internacionais, visando proteger setores produtivos que dependem intensamente do mercado norte-americano.

O desdobramento desse possível encontro em Evian será fundamental para a economia brasileira nos próximos meses. Caso as tarifas de 37,5% entrem efetivamente em vigor, setores como o siderúrgico, o de celulose e o agrícola podem enfrentar perdas bilionárias e redução de competitividade. A expectativa é que, se o diálogo ocorrer, Lula tente dissociar as questões ideológicas das relações de comércio Exterior, focando na preservação das parcerias históricas. O mercado observa atentamente os próximos passos, uma vez que a política externa "altiva e ativa" do governo petista enfrenta agora seu maior teste de resistência diante do protecionismo agressivo da gestão republicana nos Estados Unidos.

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