Exportações brasileiras para o mercado dos EUA caem 14% em maio
País registra déficit comercial com os americanos, mas superávit global cresce impulsionado por soja e petróleo.

O Brasil registrou queda de 14% nas exportações para os EUA em maio, gerando um déficit de US$ 121 milhões. Apesar do recuo no mercado americano e das ameaças de novas tarifas, a balança comercial brasileira global teve superávit de US$ 7,8 bilhões no mês.
O cenário das relações comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos apresentou sinais de retração no último mês de maio. Segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano sofreram uma redução de 14% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O montante das vendas externas para os EUA fechou em US$ 3,09 bilhões, enquanto as aquisições de produtos vindos daquele país somaram US$ 3,21 bilhões (mesmo com uma queda de 11% nas importações). Essa configuração resultou em um déficit comercial de US$ 121 milhões para o Brasil nas trocas diretas com a maior economia do mundo, indicando que, momentaneamente, o país enviou menos recursos e produtos do que absorveu dos Estados Unidos.
Historicamente, os Estados Unidos figuram como um dos três principais parceiros comerciais do Brasil, sendo um destino estratégico especialmente para produtos manufaturados e de maior valor agregado, ao contrário do perfil de exportação para a China, que é fortemente concentrado em commodities. O recuo nas vendas externas para o território norte-americano não é um fato isolado do mês de maio; no acumulado dos primeiros cinco meses do ano, a queda já atinge 16%, o que representa uma perda de US$ 2,7 bilhões em volume financeiro exportado para Washington. Este panorama acende um alerta para setores industriais brasileiros, uma vez que a menor demanda ou a substituição de fornecedores por parte dos americanos impacta diretamente a balança de pagamentos e a entrada de dólares na economia nacional.
A situação pode se tornar ainda mais desafiadora nos próximos meses devido a questões regulatórias e tarifárias. O governo dos Estados Unidos anunciou recentemente a intenção de aplicar uma tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, sob a justificativa de combater práticas comerciais que, no entendimento americano, restringem a livre concorrência ou o acesso de seus produtos ao mercado brasileiro. Além disso, existe a ameaça de uma sobretaxa adicional relacionada ao combate ao trabalho forçado, que poderia elevar o custo aduaneiro para até 37,5% em alguns casos. Estima-se que cerca de US$ 15 bilhões em exportações brasileiras possam ser impactados caso essas medidas protecionistas sejam plenamente implementadas, afetando a competitividade de diversos setores da cadeia produtiva nacional.
Apesar do desempenho negativo especificamente com os Estados Unidos, a balança comercial global do Brasil demonstrou resiliência e força em maio. O país registrou um superávit total de US$ 7,82 bilhões no mês, um crescimento de 10,8% sobre maio do ano passado. Esse resultado foi impulsionado pela alta demanda internacional por commodities brasileiras. A soja liderou as exportações com US$ 6,3 bilhões faturados, seguida por óleos brutos de petróleo e minério de ferro. Outro destaque notável foi o setor de carne bovina, que apresentou um salto de 50% nas vendas externas, somando US$ 1,7 bilhão. A China continua sendo a principal parceira comercial do Brasil, absorvendo mais de US$ 10,4 bilhões em mercadorias no mês, um crescimento de 9,5% que ajudou a compensar a retração no mercado norte-americano.
No acumulado de janeiro a maio, o saldo positivo da balança comercial brasileira atingiu US$ 32,66 bilhões, um avanço expressivo de 34,2% frente ao período equivalente do ano passado. O país faturou US$ 148,57 bilhões com exportações e gastou US$ 115,9 bilhões com importações. Os próximos passos para a economia brasileira envolvem a gestão diplomática para mitigar os efeitos das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos e a busca por novos mercados para garantir que a dependência de poucos compradores não fragilize o saldo comercial futuro. O governo deve acompanhar de perto as negociações tarifárias, enquanto o setor produtivo se prepara para diversificar sua pauta exportadora e manter o ritmo de crescimento visto no agronegócio e no setor extrativista mineral.
Leia também
Braskem entra em recuperação extrajudicial para renegociar passivos bilionários e manter operações

Braskem oficializa pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívida bilionária

Braskem entra com pedido de recuperação extrajudicial após crise geológica em Maceió

Produção de petróleo no Oriente Médio enfrentará restrições até o fim de 2027

Sobre este conteúdo
Autor: Editores
Publicado: 3 de junho de 2026 às 16:00
Atualizado: 22 de junho de 2026 às 18:34
Fonte: apuração editorial e informações públicas disponíveis
Quando houver fonte externa, a matéria informa a origem usada como base. A redação do 360 Notícia organiza, contextualiza e atualiza o conteúdo para facilitar a compreensão do leitor.

