Economia

Exportações brasileiras para o mercado dos EUA caem 14% em maio

País registra déficit comercial com os americanos, mas superávit global cresce impulsionado por soja e petróleo.

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Redação 360 Notícia
3 de junho de 2026 às 19:003 min
Exportações brasileiras para o mercado dos EUA caem 14% em maio
Foto: Reprodução
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O Brasil registrou queda de 14% nas exportações para os EUA em maio, gerando um déficit de US$ 121 milhões. Apesar do recuo no mercado americano e das ameaças de novas tarifas, a balança comercial brasileira global teve superávit de US$ 7,8 bilhões no mês.

O cenário das relações comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos apresentou sinais de retração no último mês de maio. Segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano sofreram uma redução de 14% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O montante das vendas externas para os EUA fechou em US$ 3,09 bilhões, enquanto as aquisições de produtos vindos daquele país somaram US$ 3,21 bilhões (mesmo com uma queda de 11% nas importações). Essa configuração resultou em um déficit comercial de US$ 121 milhões para o Brasil nas trocas diretas com a maior economia do mundo, indicando que, momentaneamente, o país enviou menos recursos e produtos do que absorveu dos Estados Unidos.

Historicamente, os Estados Unidos figuram como um dos três principais parceiros comerciais do Brasil, sendo um destino estratégico especialmente para produtos manufaturados e de maior valor agregado, ao contrário do perfil de exportação para a China, que é fortemente concentrado em commodities. O recuo nas vendas externas para o território norte-americano não é um fato isolado do mês de maio; no acumulado dos primeiros cinco meses do ano, a queda já atinge 16%, o que representa uma perda de US$ 2,7 bilhões em volume financeiro exportado para Washington. Este panorama acende um alerta para setores industriais brasileiros, uma vez que a menor demanda ou a substituição de fornecedores por parte dos americanos impacta diretamente a balança de pagamentos e a entrada de dólares na economia nacional.

A situação pode se tornar ainda mais desafiadora nos próximos meses devido a questões regulatórias e tarifárias. O governo dos Estados Unidos anunciou recentemente a intenção de aplicar uma tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, sob a justificativa de combater práticas comerciais que, no entendimento americano, restringem a livre concorrência ou o acesso de seus produtos ao mercado brasileiro. Além disso, existe a ameaça de uma sobretaxa adicional relacionada ao combate ao trabalho forçado, que poderia elevar o custo aduaneiro para até 37,5% em alguns casos. Estima-se que cerca de US$ 15 bilhões em exportações brasileiras possam ser impactados caso essas medidas protecionistas sejam plenamente implementadas, afetando a competitividade de diversos setores da cadeia produtiva nacional.

Apesar do desempenho negativo especificamente com os Estados Unidos, a balança comercial global do Brasil demonstrou resiliência e força em maio. O país registrou um superávit total de US$ 7,82 bilhões no mês, um crescimento de 10,8% sobre maio do ano passado. Esse resultado foi impulsionado pela alta demanda internacional por commodities brasileiras. A soja liderou as exportações com US$ 6,3 bilhões faturados, seguida por óleos brutos de petróleo e minério de ferro. Outro destaque notável foi o setor de carne bovina, que apresentou um salto de 50% nas vendas externas, somando US$ 1,7 bilhão. A China continua sendo a principal parceira comercial do Brasil, absorvendo mais de US$ 10,4 bilhões em mercadorias no mês, um crescimento de 9,5% que ajudou a compensar a retração no mercado norte-americano.

No acumulado de janeiro a maio, o saldo positivo da balança comercial brasileira atingiu US$ 32,66 bilhões, um avanço expressivo de 34,2% frente ao período equivalente do ano passado. O país faturou US$ 148,57 bilhões com exportações e gastou US$ 115,9 bilhões com importações. Os próximos passos para a economia brasileira envolvem a gestão diplomática para mitigar os efeitos das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos e a busca por novos mercados para garantir que a dependência de poucos compradores não fragilize o saldo comercial futuro. O governo deve acompanhar de perto as negociações tarifárias, enquanto o setor produtivo se prepara para diversificar sua pauta exportadora e manter o ritmo de crescimento visto no agronegócio e no setor extrativista mineral.

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