Economia

Suspensão da União Europeia coloca em risco US$ 5 bilhões nas exportações de carnes do Brasil

Veto europeu entra em vigor em setembro e atinge diversos setores, desde a carne bovina até o mel e pescados; impacto pode chegar a R$ 25 bilhões.

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Redação 360 Notícia
6 de junho de 2026 às 21:003 min
Suspensão da União Europeia coloca em risco US$ 5 bilhões nas exportações de carnes do Brasil
Foto: Reprodução
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A União Europeia excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e produtos de origem animal por falta de garantias no controle de antimicrobianos. A medida, que entra em vigor em setembro, ameaça US$ 5 bilhões em receitas anuais.

O setor do agronegócio brasileiro enfrenta um novo e severo desafio logístico e econômico após a recente decisão da União Europeia (UE) de suspender a autorização de importação de carnes e produtos de origem animal provenientes do Brasil. A medida, detalhada em publicação oficial nesta sexta-feira (5), exclui o país da lista de nações que cumprem as exigências rigorosas do bloco europeu em relação ao monitoramento e controle de antimicrobianos na cadeia produtiva agropecuária. Estimativas preliminares indicam que o impacto financeiro pode ser devastador, colocando em risco um faturamento anual que gira em torno de US$ 5 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 25 bilhões na cotação atual do câmbio.

O pano de fundo desta crise diplomática e comercial reside na falta de convergência entre as normas sanitárias brasileiras e os novos protocolos sanitários adotados pela administração europeia. Segundo o comunicado do bloco, o Brasil não foi capaz de fornecer garantias satisfatórias de que os medicamentos antimicrobianos — substâncias comumente utilizadas para tratar doenças em animais ou promover seu crescimento — não estão sendo aplicados de forma inadequada. A legislação europeia tem se tornado cada vez mais restritiva nesse sentido, visando combater a resistência bacteriana, um problema de saúde pública global que está diretamente ligado ao uso excessivo de antibióticos na pecuária.

A exclusão é abrangente e atinge diversas frentes da produção nacional. Na listagem anterior, referente ao início de 2024, o Brasil gozava de permissões sólidas para o envio de cortes bovinos, frangos, carne equina, além de subprodutos como tripas, mel e pescados. Com a nova atualização, o país foi removido de todas essas categorias simultaneamente. Vale destacar que a decisão estabelece um prazo de transição curto, com a proibição efetiva das exportações programada para entrar em vigor já no dia 3 de setembro deste ano. Até lá, frigoríficos e exportadores brasileiros operam sob o temor de cancelamentos de contratos e redirecionamento de estoques.

Para o Brasil, a União Europeia representa o segundo mercado consumidor mais relevante em termos de valor exportado, ficando atrás apenas da China. A perda desse mercado não implica apenas num prejuízo financeiro imediato, mas também em um dano reputacional significativo. Quando um bloco com as exigências da UE veta um fornecedor, outros mercados compradores podem aumentar suas inspeções ou adotar medidas semelhantes, gerando um efeito dominó que pode pressionar os preços das commodities brasileiras no mercado internacional. Especialistas apontam que a reversão desse cenário dependerá de uma reforma urgente nos sistemas de vigilância sanitária nacional, garantindo total transparência no rastreamento de medicamentos veterinários.

Diante desse cenário, o Ministério da Agricultura e Pecuária deve iniciar uma série de rodadas de negociação técnica para tentar reverter a sanção antes do prazo estipulado para setembro. Os próximos passos envolvem a apresentação de novos dados laboratoriais e o fortalecimento das políticas públicas de controle de medicamentos nos criadouros. Contudo, analistas de mercado alertam que a reconquista da confiança europeia é um processo lento, o que pode forçar o setor pecuarista a buscar novos destinos para suas carnes, como países do Oriente Médio e do Sudeste Asiático, tentando amenizar as perdas bilionárias projetadas para o fechamento do ano fiscal.

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