Homem condenado por estuprar enteada desde os 5 anos é preso em Santana, no Amapá
Culpado por abusos que duraram sete anos, condenado a 20 anos de prisão foi capturado no bairro Paraíso pela Polícia Civil.

Um homem de 41 anos foi preso em Santana, no Amapá, para cumprir pena de 20 anos por abusar da enteada desde os 5 anos de idade. O crime, marcado por ameaças e violência contínua, só foi descoberto após mudanças no comportamento da vítima.
A Polícia Civil do Estado do Amapá efetuou, nesta quarta-feira (3), a prisão de um homem de 41 anos condenado por crimes de estupro de vulnerável cometidos contra a própria enteada na cidade de Santana. A operação policial ocorreu no bairro Paraíso e deu cumprimento a um mandado de prisão definitiva expedido pelo Poder Judiciário, após o encerramento do processo que culminou em uma sentença de 20 anos de reclusão em regime fechado. O caso choca pela gravidade e pela cronicidade da violência, uma vez que as investigações apontaram que os abusos se estenderam por sete anos, interrompendo precocemente a infância da vítima dentro do ambiente familiar.
De acordo com o inquérito conduzido pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), os episódios de violência sexual tiveram início quando a criança tinha apenas 5 anos de idade. Aproveitando-se da relação de confiança e da posição de autoridade como padrasto, o agressor submetia a menina a toques inapropriados e beijos forçados. Segundo a delegada titular da unidade, Ellen Viegas, o acusado utilizava de severas ameaças psicológicas para garantir o silêncio da vítima, criando um ciclo de medo que impediu que os fatos chegassem ao conhecimento de outros familiares ou das autoridades por um longo período.
O nível de brutalidade escalou ao longo do tempo. Um dos episódios mais críticos detalhados no processo ocorreu em 2020, quando a vítima já estava com 12 anos. Na ocasião, o homem a levou para uma área rural sob o falso pretexto de que precisava de ajuda em um serviço braçal. No local isolado, ele tentou consumar o ato sexual, ato que só foi interrompido porque a adolescente apresentou sangramento e gritou de dor, o que forçou o agressor a recuar. Esse trauma físico e emocional foi o estopim para que a rede de proteção familiar começasse a notar alterações drásticas no comportamento da jovem, que apresentava sinais claros de sofrimento psíquico.
A denúncia formal só chegou à polícia em maio de 2021, momento em que a adolescente finalmente conseguiu romper a barreira do medo e relatar os anos de suplício aos quais foi submetida. O relato detalhado da vítima, aliado a exames periciais e depoimentos de testemunhas, formou o conjunto probatório necessário para a condenação definitiva. No Brasil, o crime de estupro de vulnerável é considerado hediondo, prevendo penas severas justamente pela incapacidade de resistência ou compreensão da vítima em razão da idade ou vulnerabilidade física e mental. O desfecho do caso em Santana reforça a importância da vigilância constante por parte de pais e educadores sobre mudanças de humor, isolamento ou medo excessivo demonstrado por crianças e jovens em relação a membros da família.
Após a captura realizada pelos agentes da Polícia Civil, o criminoso passou pelos procedimentos de triagem e foi encaminhado diretamente ao Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen). Com a sentença transitada em julgado, ele inicia agora o cumprimento da pena de duas décadas na unidade prisional. A resolução deste caso é vista pelas autoridades de segurança pública do Amapá como uma resposta necessária ao alto índice de crimes sexuais domésticos na região Norte, servindo como um alerta para que a sociedade utilize os canais de denúncia, como o Disque 100, para interromper abusos no ambiente doméstico antes que tragédias maiores ocorram.






