PEC do fim da escala 6x1: Relator define transição de 14 meses e novas regras de folga
Relator Léo Prates propõe redução gradual da jornada para 40 horas semanais e proibição de corte salarial; votação deve ocorrer nesta semana.

O parecer da PEC que encerra a escala 6x1 propõe redução da jornada de 44 para 40 horas semanais em um prazo de 14 meses. Texto garante dois dias de folga sem redução salarial e deve ser votado na Câmara ainda nesta semana, prometendo impactar milhões de trabalhadores brasileiros.
A discussão sobre a modernização das relações de trabalho no Brasil ganhou um novo e decisivo capítulo nesta segunda-feira (25), com a apresentação do relatório da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala 6x1. O deputado Léo Prates (Republicanos-BA), relator da matéria na Câmara dos Deputados, detalhou seu parecer estabelecendo uma transição gradual para a redução da carga horária semanal. O texto propõe a transição do limite de 44 horas para 40 horas semanais, garantindo dois dias de folga obrigatórios, com um cronograma de implementação que pode se estender por até 14 meses após a promulgação da medida. O objetivo central é assegurar maior qualidade de vida aos trabalhadores sem comprometer abruptamente a saúde financeira das empresas.
O movimento pelo fim da escala de seis dias de trabalho para um de descanso tomou conta do debate público e das redes sociais nos últimos meses, pressionando o Legislativo a dar uma resposta célere. O parecer apresentado por Prates tenta equilibrar os anseios da classe trabalhadora com as preocupações do setor produtivo. Segundo o texto, a mudança afetará diretamente os direitos fundamentais inscritos na Constituição, fixando que a jornada normal de trabalho não excederá oito horas diárias. Para viabilizar a adaptação do mercado, o relator sugeriu um fatiamento da redução: as primeiras duas horas seriam cortadas em até 60 dias após a aprovação definitiva; as outras duas horas seriam reduzidas em um prazo de 12 meses subsequentes, totalizando o período de transição de pouco mais de um ano.
Um dos pontos mais sensíveis da proposta é a garantia de que não haverá qualquer tipo de redução salarial para os empregados. O texto é enfático ao proibir cortes nominais, proporcionais ou de qualquer outra natureza durante o processo de ajuste da jornada. Além disso, a obrigatoriedade de duas folgas semanais — preferencialmente com um dos dias coincidindo com o domingo — passa a ser um preceito constitucional. Para forçar o diálogo e a adequação, o parecer estabelece que qualquer acordo ou convenção coletiva que desrespeite as novas normas perderá a validade legal 60 dias após a promulgação da PEC, obrigando empresas e sindicatos a renegociarem as condições de trabalho sob as novas diretrizes de bem-estar laboral.
Apesar do avanço, a votação na comissão especial foi adiada devido a um pedido de vista, instrumento utilizado por parlamentares para analisar o documento com mais profundidade. Existe uma forte expectativa de que a análise seja concluída e votada na comissão já nesta quarta-feira (27), podendo chegar ao plenário da Câmara dos Deputados na quinta-feira (28). É importante ressaltar que, por se tratar de uma alteração na Constituição, a proposta exige um quórum qualificado e rigoroso: são necessários os votos favoráveis de, pelo menos, 308 deputados e 49 senadores, em dois turnos de votação em cada casa legislativa para que as mudanças tornem-se definitivas.
Curiosamente, o texto prevê uma exceção específica voltada para profissionais de alta renda e com nível superior. Aqueles que recebem salários acima de duas vezes e meia o teto do INSS (atualmente cerca de R$ 20 mil) ficarão de fora das regras de controle de jornada e ponto. A justificativa do relator para este recorte é evitar o fenômeno da "pejotização" e oferecer maior flexibilidade a cargos de confiança e especialistas que já operam com dinâmicas de entrega diferentes do padrão operacional. Para o trabalhador médio brasileiro, no entanto, a medida promete ser a maior reforma na jornada de trabalho desde a Constituição de 1988, redesenhando o equilíbrio entre tempo produtivo e vida pessoal no país nos próximos anos.
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Sobre este conteúdo
Autor: Editores
Publicado: 26 de maio de 2026 às 03:00
Atualizado: 1 de julho de 2026 às 18:11
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