O que a dificuldade de cortar as unhas revela sobre a saúde do idoso
Especialista alerta que limitações de mobilidade e a falta de triagem adequada em emergências escondem riscos severos para a terceira idade.

A dificuldade em realizar tarefas simples, como cortar as unhas dos pés, pode revelar riscos de quedas e declínio funcional em idosos que passam despercebidos em consultas de emergência.
Uma indagação trivial sobre o cuidado com as unhas dos pés pode ser a chave para identificar perigos invisíveis na saúde da terceira idade. Segundo o médico Pedro Kallas Curiati, especialista em geriatria, a incapacidade de realizar essa tarefa rotineira serve como um alerta multidimensional. O ato exige unir equilíbrio, visão nítida e flexibilidade, além de força nas mãos. Quando um idoso não consegue mais alcançar os próprios pés com segurança, isso sinaliza uma vulnerabilidade acentuada que pode resultar em acidentes graves no curto prazo.
O conceito de "caidor oculto" alerta para pacientes que buscam prontos-socorros por motivos clínicos, como infecções ou dores agudas, mas que possuem um alto risco de quedas ignorado pelas equipes médicas. Muitas vezes, o foco da emergência está apenas em estabilizar a queixa imediata. No entanto, o período após uma doença é justamente quando o idoso está mais frágil devido ao repouso forçado e aos efeitos colaterais de novas medicações, criando um cenário propício para quedas domésticas que poderiam ser evitadas com triagem adequada.
Para minimizar esses riscos, especialistas recomendam reformas estruturais na residência, como o uso de barras de apoio e a retirada de tapetes, além do uso de sapatos antiderrapantes. Cuidados com a pressão arterial também são fundamentais, sendo aconselhável que o idoso se sente na borda da cama por alguns minutos antes de se levantar. Esse conjunto de medidas, somado ao combate à desnutrição e à perda de massa muscular, impede que o medo de cair gere um ciclo de isolamento e imobilidade que compromete severamente a autonomia funcional.





