Sobrevivente denuncia ter sido abusada por Epstein durante prisão domiciliar
Vítima detalha estupros ocorridos durante o regime de custódia do financista e critica falhas do sistema judiciário na proteção de sua identidade.

Uma sobrevivente detalhou abusos cometidos por Jeffrey Epstein durante o período em que ele cumpria prisão domiciliar na Flórida. O depoimento destaca falhas no sistema judiciário que permitiram a continuidade dos crimes e a exposição indevida da identidade da vítima.
Em um depoimento contundente durante uma audiência organizada por parlamentares democratas na Flórida, uma mulher identificada como Roza revelou ter sido vítima de abusos sexuais cometidos por Jeffrey Epstein em 2009. Segundo o relato, as agressões ocorreram no período em que o financista cumpria prisão domiciliar em sua residência em West Palm Beach, após ter sido condenado por incitar a prostituição de uma menor de idade. Roza detalhou que a violência sexual se estendeu por um período de três anos.
A vítima explicou que foi recrutada no Uzbequistão sob a promessa de uma carreira de modelo por Jean-Luc Brunel, ex-agente e associado de Epstein. Devido à sua vulnerabilidade financeira na época, ela teria aceitado uma oferta de emprego na fundação científica mantida pelo agressor. Na ocasião, o regime de custódia de Epstein permitia que ele saísse de casa por até 16 horas diárias para trabalhar na instituição, brecha que, segundo a denunciante, facilitou a continuidade dos crimes.
Além dos traumas diretos, Roza criticou duramente as falhas do sistema de justiça norte-americano. Ela afirmou que sua identidade foi exposta indevidamente em documentos públicos divulgados pelo Departamento de Justiça, enquanto nomes de figuras influentes envolvidas no caso foram preservados. O governo dos Estados Unidos atribuiu o vazamento a erros técnicos, mas a sobrevivente relata viver sob constante medo e assédio mediático após o incidente.
A audiência, embora sem caráter jurídico imediato, serviu para que congressistas questionassem o acordo judicial de 2008 que beneficiou Epstein e permitiu a manutenção de sua rede de abusos por mais uma década. Outras sobreviventes também participaram da sessão, reforçando acusações de que as autoridades de segurança ignoraram denúncias contra o financista durante anos. Jeffrey Epstein morreu em 2019 em uma prisão de Nova York, antes de ser julgado por novas acusações de tráfico sexual.






