Mulher morta em tentativa de assalto no Itanhangá é velada sob forte comoção no Rio
Vítima foi atingida no peito após marido reagir a roubo de motocicleta; suspeitos foram presos em flagrante.

O corpo de Ciene Pires de Paulo será velado nesta terça-feira após ser baleada em tentativa de assalto no Itanhangá. O marido da vítima reagiu ao crime e entrou em luta corporal com os bandidos. Dois suspeitos foram presos em flagrante pela PM.
A cidade do Rio de Janeiro registra mais um episódio trágico da violência urbana com o sepultamento de Ciene Pires de Paulo, de 42 anos, marcado para esta terça-feira (26) no Cemitério de Sulacap, na Zona Oeste. A vítima, que era carinhosamente chamada de Roberta por amigos e familiares, perdeu a vida durante uma tentativa de assalto ocorrida na Estrada do Itanhangá, região sudoeste da capital fluminense, no último sábado (23). O caso chocou a comunidade de Rio das Pedras, onde ela residia, e reacende o debate sobre a segurança pública e os riscos das reações a abordagens criminosas em vias expressas e movimentadas da cidade.
De acordo com os registros oficiais, Ciene estava na garupa da motocicleta conduzida por seu marido quando o casal foi interceptado por criminosos. O episódio rapidamente escalou para uma situação de extrema violência quando o companheiro da vítima, em um momento de desespero, decidiu reagir à abordagem e entrou em luta corporal com um dos bandidos que portava uma arma de fogo. No meio da confusão e do confronto físico, um disparo foi efetuado e atingiu o peito de Ciene. Mesmo tendo sido socorrida com rapidez e levada ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, ela não resistiu aos ferimentos e faleceu durante o procedimento cirúrgico.
O cenário após o crime foi de revolta por parte de moradores e pedestres que passavam pelo local. Os suspeitos do crime, identificados pela polícia como Israel Moreira da Silva, de 31 anos, e Ana Carolina da Silva Gonçalves, de 26 anos, foram detidos por populares que testemunharam a ação e acabaram sendo agredidos antes da chegada da Polícia Militar. Com a intervenção oficial, o casal de assaltantes foi preso em flagrante e levado à delegacia. As investigações posteriores revelaram que a motocicleta utilizada pelos criminosos para cometer o delito era fruto de um roubo anterior e apresentava sinais identificadores adulterados, o que resultou em acusações adicionais de receptação.
Ciene era natural do Maranhão e vivia no Rio de Janeiro há cerca de duas décadas, trabalhando como empregada doméstica para sustentar seus sonhos e sua rotina na metrópole. O marido da vítima, visivelmente abalado e portando marcas físicas do confronto com o assaltante, passou por um doloroso processo de liberação do corpo no Instituto Médico Legal (IML). O caso agora está sob a responsabilidade da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que busca encerrar o inquérito apontando todas as nuances do latrocínio — crime de roubo seguido de morte — que interrompeu a vida da maranhense de forma prematura.
A morte de Ciene ocorre em um contexto de aumento estatístico preocupante no estado. Dados recentes do Instituto Fogo Cruzado indicam uma alta expressiva de pessoas baleadas em situações de assalto no Rio de Janeiro. Segundo o levantamento, o mês de abril registrou um salto de 50% nessas ocorrências em comparação ao mesmo período de 2023. Essa escalada de violência tem pressionado as autoridades de segurança a intensificar o patrulhamento em bairros como Itanhangá e Recreio dos Bandeirantes, onde o 31º BPM já anunciou o reforço de blitzes e motopatrulhamento para tentar conter os arrastões e roubos de veículos que aterrorizam os moradores da Zona Oeste.
A morte da doméstica gerou uma onda de solidariedade nas redes sociais, especialmente entre os moradores de Rio das Pedras, que descrevem a vítima como uma pessoa trabalhadora e alegre. O desdobramento jurídico agora se concentra na manutenção da prisão preventiva dos agressores, enquanto a Polícia Civil verifica se o casal de assaltantes possui envolvimento em outros crimes similares ocorridos na região da Barra e adjacências nas últimas semanas. Para o cidadão fluminense, fica mais uma vez o alerta das forças de segurança sobre os perigos letais da reação a assaltos, um ato instintivo que, infelizmente, termina com frequência em tragédias familiares irreparáveis.





