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Como o maior ladrão de livros raros do Brasil iniciou sua carreira criminosa

Laéssio Rodrigues de Oliveira detalha em documentário como iniciou sua sequência de saques que desafiaram a segurança de museus brasileiros por décadas.

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Redação 360 Notícia
26 de maio de 2026 às 07:003 min
Como o maior ladrão de livros raros do Brasil iniciou sua carreira criminosa
Foto: Reprodução
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A trajetória de Laéssio Rodrigues de Oliveira, o maior ladrão de livros raros do Brasil, é revelada em detalhes em novo documentário. O criminoso, que já foi preso 11 vezes, relata como um simples furto de revista evoluiu para um esquema de milhões contra o patrimônio histórico nacional.

O universo do colecionismo e da preservação histórica no Brasil voltou a ser palco de discussões intensas após a divulgação de novos detalhes sobre a trajetória de Laéssio Rodrigues de Oliveira. Apontado pela Polícia Federal como o maior ladrão de livros raros e documentos históricos do país, Oliveira teve trechos de seus depoimentos em um novo documentário revelados, expondo o cinismo e a facilidade com que iniciou sua vida criminosa no patrimônio cultural. O caso ganha relevância não apenas pela audácia do criminoso, mas por expor a vulnerabilidade crônica de instituições que guardam a memória nacional, como museus e bibliotecas públicas de grande porte.

De acordo com o relato do próprio infrator, a transição de um admirador de artes para um saqueador sistemático ocorreu de forma quase mundana. Sua primeira incursão no mundo do crime teve como alvo uma revista Fon-Fon de 1944, que trazia na capa a imagem icônica de Carmen Miranda. Oliveira descreveu como, aproveitando-se da solidão de uma mesa de pesquisa em um museu, simplesmente guardou o exemplar em sua mochila sem ser questionado. Esse episódio, embora pareça pequeno diante das perdas milionárias que viriam a seguir, é apontado pelas autoridades como o marco inicial de uma mentalidade predatória que devastou acervos brasileiros por décadas.

O perfil de Laéssio de Oliveira foge ao estereótipo do criminoso comum da área de segurança. Ele se especializou em fingir ser um pesquisador sério, um erudito interessado em raridades, o que lhe garantia acesso facilitado a áreas restritas e a manuseio de obras centenárias. Com o tempo, as revistas deram lugar a incunábulos, mapas raros de viajantes europeus e edições autografadas por grandes autores da literatura mundial. Investigações da Polícia Federal indicam que os métodos de Oliveira evoluíram para o uso de comparsas, falsificações e estratégias de logística para cruzar fronteiras e vender as peças ao mercado clandestino internacional, onde obras de arte brasileiras costumam ser transacionadas sem o devido rastreio.

O histórico penal de Laéssio é extenso e revela uma reincidência contumaz. Ao longo de sua vida, ele foi detido pelo menos 11 vezes por crimes contra o patrimônio histórico, mas a legislação brasileira e as dificuldades de rastrear objetos de arte facilitaram seus repetidos retornos ao crime. Em uma cena emblemática do documentário, no momento em que deixa a prisão após cumprir uma de suas penas, Oliveira encara as câmeras com desdém e afirma "mais um para minha coleção", referindo-se aos processos criminais como se fossem medalhas de uma carreira de sucesso. Essa postura levanta discussões profundas sobre a eficácia do sistema punitivo brasileiro para crimes que não envolvem violência física, mas que causam um dano irreparável à identidade cultural de uma nação.

A relevância deste caso para o leitor brasileiro é altíssima, considerando que muitos dos vácuos deixados nas prateleiras de bibliotecas nacionais jamais serão preenchidos. Quando um documento histórico é roubado e vendido a colecionadores particulares no exterior, ele deixa de pertencer ao público e perde sua função educativa e histórica. Especialistas em segurança de acervos afirmam que a vigilância em bibliotecas brasileiras ainda é deficitária, muitas vezes dependendo de câmeras obsoletas ou de um número reduzido de guardas. O caso de Oliveira serviu como um alerta amargo para que instituições como a Biblioteca Nacional e as bibliotecas estaduais reforçassem seus protocolos de acesso, incluindo a biometria e o controle rigoroso de pertences na entrada de salas de consulta.

Para o futuro, a expectativa das autoridades e de historiadores é que a publicidade em torno dos métodos de Oliveira ajude a fechar as brechas exploradas por ele. Além disso, existe um esforço contínuo da Interpol e da Polícia Federal para repatriar itens que possam ter sido subtraídos pelo detento em suas décadas de atuação. O documentário sobre sua vida e crimes não é apenas um registro biográfico de um ladrão, mas um documento sobre a fragilidade da história brasileira diante da ganância privada. Enquanto o patrimônio não for tratado com a mesma prioridade de segurança que o sistema financeiro, figuras como Laéssio Rodrigues de Oliveira continuarão a enxergar nos museus uma oportunidade de enriquecimento às custas da memória coletiva.

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