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Moradores de Uberaba terão segundo reajuste na tarifa de lixo em 2026

Com novo reajuste autorizado pela agência reguladora, valor será alterado pela segunda vez no ano devido a custos operacionais e atrasos contratuais.

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Redação 360 Notícia
25 de maio de 2026 às 23:003 min
Moradores de Uberaba terão segundo reajuste na tarifa de lixo em 2026
Foto: Reprodução
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A cidade de Uberaba terá novo reajuste na taxa de lixo em julho, acumulando dois aumentos apenas em 2026. A medida, autorizada pela agência reguladora estadual, visa compensar atrasos na aplicação de tarifas anteriores e cobrir custos extras com a destinação de resíduos em aterros privados.

Os moradores de Uberaba, no Triângulo Mineiro, devem se preparar para uma nova pressão no orçamento doméstico a partir do segundo semestre de 2026. A Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento Básico de Minas Gerais (Arisb-MG) oficializou, por meio de uma resolução publicada no último sábado (23), o segundo aumento na tarifa de coleta de lixo no município apenas este ano. A nova atualização elevará o custo do serviço em 2,61%, afetando diretamente o valor final das faturas de saneamento que chegam às residências dos cidadãos uberabenses. Com a determinação do órgão regulador, o valor por metro cúbico de água consumida — base para o cálculo da taxa de lixo — subirá de R$ 1,0893 para R$ 1,1178, com impacto previsto para os boletos que vencem a partir do dia 1º de julho.

A recorrência de aumentos no setor de saneamento de Uberaba reflete um cenário de instabilidade operacional e financeira enfrentado pela Companhia Operacional de Desenvolvimento, Saneamento e Ações Urbanas (Codau). Para compreender o contexto atual, é necessário retroceder ao início de 2026. Em janeiro, a agência reguladora já havia autorizado um reajuste substancial de 17,08% na mesma tarifa. Aquele aumento se tornou efetivo em abril, elevando o custo de R$ 0,9304 para o patamar atual de R$ 1,0893. O motivo central para aquela revisão extraordinária foi a desativação antecipada do aterro sanitário municipal, o que obrigou o poder público a contratar serviços de aterros privados e terceirizados, gerando custos extras imediatos que foram repassados ao consumidor para manter o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos de prestação de serviço.

Este novo incremento de 2,61%, embora percentualmente menor que o anterior, é justificado pela Arisb-MG como uma forma de compensar um lapso temporal administrativo. Segundo notas técnicas da agência, o reequilíbrio tarifário anual deveria ter ocorrido em janeiro, mas a implementação prática dos novos valores só aconteceu em maio. Esse atraso de aproximadamente 120 dias gerou o que os técnicos chamam de "frustração de receita" para a concessionária, ou seja, a empresa deixou de arrecadar o montante previsto no contrato durante esse quadrimestre. Assim, o novo reajuste serve para "tapar o buraco" financeiro causado pelo tempo em que a tarifa permaneceu defasada em relação aos custos reais de operação da coleta e destinação de resíduos.

Além da questão específica do lixo, o setor de saneamento em Uberaba enfrenta outros gargalos estruturais que têm encarecido a vida do contribuinte. Recentemente, a tarifa de água também sofreu uma correção de 12%, aplicada às contas com vencimento desde abril. Um dos principais vilões apontados pelos órgãos de controle são as perdas físicas e comerciais no sistema de abastecimento da cidade. Estimativas alarmantes indicam que a diferença entre o que a Codau produz de água e o que ela consegue efetivamente faturar resultou em um prejuízo de cerca de R$ 14 milhões no ano de 2025. Esse desperdício, seja por vazamentos em tubulações antigas ou por ligações clandestinas, acaba sendo socializado e impactando o valor final cobrado de quem está com as contas em dia.

O cenário para o consumidor de Uberaba é desafiador, pois o serviço de limpeza urbana e saneamento básico consome uma fatia cada vez maior da renda das famílias, sem que haja, necessariamente, uma percepção imediata de melhoria na qualidade dos serviços. O modelo de cobrança atrelado ao consumo de água é uma prática comum para garantir o custeio da coleta de lixo, mas gera críticas quando os reajustes se tornam frequentes em um curto espaço de tempo. Nos próximos meses, espera-se que os órgãos municipais e a própria agência reguladora apresentem planos de redução de perdas no sistema e maior transparência sobre a eficiência operacional da Codau, buscando evitar que novas revisões extraordinárias se tornem a regra para cobrir ineficiências do sistema público de saneamento.

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