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Caso Henry Borel: Justiça retoma julgamento sob forte esquema de segurança no Rio

Ex-vereador e a mãe do garoto respondem por homicídio qualificado e tortura em sessão marcada por tentativas de adiamento.

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Redação 360 Notícia
26 de maio de 2026 às 00:003 min
Caso Henry Borel: Justiça retoma julgamento sob forte esquema de segurança no Rio
Foto: Reprodução
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Após cinco anos de espera e manobras judiciais, o julgamento de Jairinho e Monique Medeiros pela morte de Henry Borel foi retomado no Rio de Janeiro. Ambos enfrentam acusações de tortura e homicídio qualificado em um caso que chocou o país e expôs a fragilidade da proteção infantil.

O Poder Judiciário do Rio de Janeiro deu início, nesta segunda-feira (25), a uma etapa decisiva para um dos processos criminais de maior repercussão na história recente do Brasil: o julgamento do caso Henry Borel. No Tribunal do Júri, sentam-se no banco dos réus o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e Monique Medeiros, mãe do garoto. Henry, que tinha apenas quatro anos na época do crime, faleceu em março de 2021, apresentando múltiplos sinais de violência física. O início do júri popular marca um momento de grande expectativa social e institucional, ocorrendo sob forte esquema de segurança e restrições de transmissão, com o intuito de preservar a imparcialidade dos jurados.

A retomada do julgamento ocorre após um longo período de quase cinco anos, um intervalo de tempo superior à própria vida da pequena vítima. O processo foi marcado por sucessivos adiamentos e estratégias jurídicas que protelaram o desfecho do caso. Logo no início da sessão desta segunda-feira, a defesa de Jairinho tentou uma nova manobra ao alegar que o advogado principal havia sofrido um problema de saúde grave (um infarto). Houve a tentativa de destituir a equipe de defesa, mas o cenário mudou drasticamente após o Ministério Público sugerir a transferência do réu para uma unidade prisional de segurança máxima, Bangu 1, conhecida pelo rigor disciplinar superior à Bangu 8, onde ele se encontra. Diante da possibilidade de transferência, Jairinho recuou e o julgamento prosseguiu com a manutenção de sua equipe legal.

De forma detalhada, o caso se baseia em laudos periciais contundentes realizados pelo Instituto Médico Legal (IML). Henry Borel deu entrada em uma unidade de saúde já sem vida, e o exame cadavérico revelou que o menino sofreu 23 lesões distintas espalhadas por diversos órgãos e regiões do corpo, incluindo rins, fígado, pulmões e crânio. A causa oficial da morte foi hemorragia interna decorrente de ação contundente, o que desmentiu prontamente a versão inicial apresentada pelo casal, de que o garoto teria caído da cama. Para o Ministério Público e a Polícia Civil, Henry passava por sessões de tortura sistemática praticadas pelo padrasto, com a plena ciência e omissão por parte da mãe biológica.

O impacto emocional do julgamento é visível, especialmente na figura de Leniel Borel, pai de Henry e assistente de acusação, que luta pela aplicação de penas rigorosas. A denúncia aponta que Jairinho deve responder por homicídio qualificado, tortura e coação no curso do processo. Já Monique Medeiros enfrenta acusações de homicídio qualificado por omissão imprópria, uma vez que, segundo as investigações, ela teria condições de evitar a agressão fatal, mas optou pela conivência. A exclusão de câmeras e microfones do plenário foi uma decisão judicial para garantir que o conselho de sentença, formado por sete cidadãos comuns, julgue o caso estritamente com base nos autos, sem a pressão externa das transmissões ao vivo.

Nesta primeira fase, o Conselho de Sentença foi formado por cinco homens e duas mulheres. A defesa de Jairinho apresentou 23 pedidos de anulação de provas e requerimentos de novos documentos, todos indeferidos pela magistrada responsável para evitar novos retardamentos desnecessários. Com a participação prevista de 27 testemunhas ao longo dos próximos dias, o julgamento promete ser extenso e técnico. O desfecho deste caso é considerado emblemático para a Justiça brasileira, simbolizando a luta contra a violência doméstica infantil e a celeridade do sistema judiciário em crimes de gravidade extrema. A expectativa é que o júri se estenda por toda a semana, trazendo finalmente um encerramento jurídico para o episódio que interrompeu a vida de Henry Borel.

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