Jota Quest resgata clássicos de Tim Maia em novo single com participação de Mãeana
Com participação de Mãeana, banda mineira apresenta novas versões para clássicos de 1971 em projeto que homenageia o Síndico.

O grupo Jota Quest lança single duplo com releituras de Tim Maia, incluindo a participação da cantora Mãeana em faixa bilíngue. O projeto resgata clássicos dos anos 70, como a icônica balada 'Você', e reforça a influência do soul brasileiro na trajetória do quinteto mineiro.
A banda mineira Jota Quest se prepara para movimentar o cenário musical brasileiro com o lançamento de um novo single duplo, marcando mais uma etapa de seu aguardado projeto em homenagem a Tim Maia (1942 – 1998). O quinteto formado por Rogério Flausino, Marco Túlio Lara, Marcio Buzelin, PJ e Paulinho Fonseca anunciou a chegada de duas novas interpretações para a noite desta quinta-feira, 28 de maio. O lançamento, no formato conhecido na indústria fonográfica como "bundle", traz à tona as faixas “Você” e a bilíngue “I don’t know what to do with myself”, esta última contando com a participação especial da cantora Mãeana. Este movimento reforça a intenção do grupo de celebrar as raízes do soul e do funk nacional, gêneros que consagraram o Síndico como um dos maiores ícones da nossa cultura.
O mergulho do Jota Quest no cancioneiro de Tim Maia não é aleatório; a banda sempre carregou em seu DNA influências diretas do balanço e da "black music" que o cantor carioca ajudou a popularizar no Brasil a partir do final da década de 1960. O hiato de quase seis meses desde o lançamento da releitura de “Acenda o farol”, ocorrido em dezembro, serviu para aumentar o fomento entre os fãs e a crítica especializada. Enquanto a primeira amostra do disco apostou em uma sonoridade mais próxima do "disco club" do final dos anos 70, as novas faixas escolhidas pela banda remetem a um período anterior e fundamental da carreira de Tim: o início da década de 1970, quando ele consolidava sua assinatura rítmica e melódica nos famosos álbuns homônimos.
Uma das faixas centrais deste novo lançamento é “Você”, uma balada de profunda carga emocional que carrega consigo uma curiosidade histórica fascinante no universo da MPB. Originalmente composta para Roberto Carlos em 1969, a canção foi recusada pelo Rei, que na época buscava algo com mais "suingue" — o que levou Tim a entregar-lhe o sucesso “Não vou ficar”. “Você” chegou a ser gravada por Eduardo Araújo sob uma estética de boogaloo, mas só encontrou sua forma definitiva e o reconhecimento do grande público quando o próprio Tim a incluiu em seu segundo LP, em 1971. Décadas depois, a canção ganharia uma versão icônica em reggae pelos Paralamas do Sucesso, e agora recebe a roupagem mineira do Jota Quest, provando a atemporalidade de sua composição.
Já a canção “I don’t know what to do with myself”, escrita em parceria com Hyldon, apresenta uma faceta mais rara do repertório de Tim Maia. Cantada em inglês e português, a música explora o "samba-soul" de forma sofisticada, permanecendo por muito tempo como uma pérola restrita aos apreciadores mais assíduos do cantor. A escolha dessa faixa para contar com a colaboração de Mãeana demonstra o cuidado do Jota Quest em trazer novas texturas vocais ao projeto, fugindo do óbvio e explorando nuances do soul brasileiro. A participação de Mãeana é o primeiro dueto revelado do álbum, indicando que o disco será uma celebração colaborativa, unindo gerações diferentes em torno da herança deixada por Tim Maia.
O impacto deste projeto para o mercado da música brasileira é significativo. Ao revisitar obras de 1971 e 1978, o Jota Quest não apenas presta uma homenagem póstuma, mas educa as gerações mais jovens sobre a importância técnica e estética de Tim Maia na construção do pop nacional moderno. O álbum completo, que ainda não teve sua data final de lançamento revelada, promete ser um balanço entre a reverência aos arranjos originais e a sonoridade característica do quinteto mineiro. Diante de um mercado saturado por tendências efêmeras, a aposta em clássicos do soul brasileiro reafirma o vigor do catálogo nacional e a capacidade de reinvenção de uma das bandas mais resilientes do Brasil após três décadas de estrada.






