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Fim da escala 6x1: Relator apresenta parecer na Câmara e debate avança após acordo político

Parecer do relator propõe jornada de 40 horas semanais e transição de 14 meses para empresas se adaptarem às novas regras.

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Redação 360 Notícia
26 de maio de 2026 às 02:003 min
Fim da escala 6x1: Relator apresenta parecer na Câmara e debate avança após acordo político
Foto: Reprodução
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O relator da proposta que visa encerrar a escala 6x1 apresentou seu parecer prevendo jornada de 40 horas e transição de 14 meses. O debate parlamentar avança sob pressão popular e resistência de setores econômicos.

O debate sobre a modernização das relações de trabalho no Brasil ganhou um novo capítulo nesta semana com a apresentação do relatório oficial sobre o fim da escala 6x1. O deputado Léo Prates (Republicanos-BA), relator da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), protocolou seu parecer favorável à alteração constitucional que visa extinguir o modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos com apenas um de folga. A movimentação ocorre após uma articulação política direta entre o Palácio do Planalto, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, demonstrando que o tema, antes restrito às redes sociais, agora ocupa o centro da agenda legislativa nacional.

A essência do texto apresentado por Prates propõe a fixação de uma jornada de trabalho máxima de 40 horas semanais, garantindo constitucionalmente que não haja qualquer redução nos salários vigentes. Um dos pontos centrais para viabilizar a aceitação da proposta entre as diferentes frentes parlamentares é o período de transição. O relator sugeriu um prazo de 14 meses para que as empresas e o mercado de trabalho se adaptem às novas regras, um meio-termo tentado para aplacar as críticas sobre um impacto econômico imediato e desordenado. No entanto, a discussão foi temporariamente interrompida por um pedido de vista coletivo, liderado pelo deputado Mauricio Marcon (PL-RS), o que adia a votação mas mantém o tema sob intensa pressão pública e política.

Historicamente, a jornada de trabalho no Brasil é motivo de grandes embates entre o patronato e a classe trabalhadora. O modelo 6x1 é amplamente criticado por especialistas em saúde ocupacional por contribuir para o esgotamento físico e mental, prejudicando o convívio social e a qualidade de vida. Por outro lado, o setor produtivo, representado por federações de comércio e indústria, manifesta profunda preocupação. O argumento principal é que a mudança elevaria os custos operacionais, especialmente em micro e pequenas empresas, podendo resultar em aumento de preços para o consumidor final ou até em demissões em massa diante da impossibilidade de arcar com a contratação de novos turnos para suprir as horas reduzidas.

Para o leitor brasileiro, o desfecho desta proposta impacta diretamente o cotidiano das cidades. Economistas apontam que, para que o fim da escala 6x1 não gere inflação ou desemprego, é fundamental que a medida venha acompanhada de mecanismos que estimulem o aumento da produtividade nacional e, possivelmente, de incentivos fiscais para setores mais sensíveis, como o de serviços e gastronomia, que operam intensamente aos fins de semana. Há um consenso técnico de que a redução da jornada pode fomentar o setor de entretenimento e turismo doméstico, uma vez que o trabalhador teria mais tempo para o consumo, criando um ciclo econômico alternativo que compensaria os custos iniciais das empresas.

O cenário futuro na Câmara dos Deputados permanece incerto, mas com tendência de alta temperatura nas discussões. Após o período de vista, o texto voltará a ser analisado pela CCJ e, se aprovado, precisará passar por uma Comissão Especial antes de ser levado ao plenário para votação em dois turnos por ser uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Somente após esse longo rito é que a matéria seguirá para o Senado Federal. A mobilização popular nas redes sociais e nas ruas tem sido um combustível para que os parlamentares não deixem o projeto engavetado, sinalizando que a reforma da jornada de trabalho é uma das pautas sociais mais relevantes do atual ciclo legislativo.

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