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Evilásio Cavalcanti assume Prefeitura de Cabedelo em meio a crise política e investigações da PF

Vice toma posse em caráter interino após Edvaldo Neto ser afastado por investigações da Polícia Federal na Operação Cítrico.

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Redação 360 Notícia
26 de maio de 2026 às 00:003 min
Evilásio Cavalcanti assume Prefeitura de Cabedelo em meio a crise política e investigações da PF
Foto: Reprodução
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Evilásio Cavalcanti (Avante) assume a prefeitura de Cabedelo (PB) após o prefeito eleito, Edvaldo Neto, ser impedido pela Justiça por suspeitas de fraude e ligação com o crime. O novo gestor promete reforma administrativa severa.

Em uma cerimônia marcada pela tensão política e pelo simbolismo de uma "missão", Evilásio Cavalcanti (Avante) tomou posse nesta segunda-feira (25) como prefeito interino de Cabedelo, município estratégico na Grande João Pessoa. A ascensão de Evilásio ao comando do Poder Executivo municipal ocorre de forma atípica e sob a sombra de graves investigações federais. Embora a chapa encabeçada por Edvaldo Neto (Avante) tenha saído vitoriosa das urnas em uma eleição suplementar recente, o prefeito eleito está impedido de exercer as funções governamentais devido a restrições impostas pela Justiça, motivadas pelo seu envolvimento na Operação Cítrico, deflagrada pela Polícia Federal.

O cenário político em Cabedelo é de extrema fragilidade institucional. A Operação Cítrico, que fundamenta o afastamento de Edvaldo Neto, investiga um esquema complexo de fraudes em processos licitatórios e o suposto desvio de recursos públicos que podem chegar à casa dos R$ 270 milhões. Mais grave ainda são os indícios, apontados pelo Tribunal de Justiça da Paraíba, de que agentes políticos teriam estabelecido ligações com organizações criminosas para garantir a manutenção do poder e o fluxo de capital ilícito. Diante desse turbilhão, o vice-prefeito diplomado, Evilásio Cavalcanti, surge como a figura necessária para evitar uma vacância absoluta e tentar dar continuidade aos serviços básicos da cidade, que já começam a sofrer os impactos da instabilidade administrativa.

Durante seu discurso de posse na Câmara Municipal, Cavalcanti adotou um tom de humildade e gravidade, reconhecendo que assume o cargo em um dos momentos mais críticos da história recente de Cabedelo. Ele enfatizou que não planejou chegar à prefeitura nessas circunstâncias e pediu o apoio da população e das instituições para conduzir o que chamou de "missão". O novo gestor destacou a necessidade inadiável de uma reforma administrativa profunda, prometendo enxugar o quadro de gastos, eliminar despesas supérfluas e assegurar que a transparência seja o pilar de sua administração. "Quem não estiver disposto a caminhar dentro da moralidade e da lei não terá espaço", declarou o prefeito, em um aceno claro aos órgãos de controle e à opinião pública desgastada pelos escândalos.

A composição do governo interino também já demonstra as marcas do distanciamento necessário entre os dois integrantes da chapa eleita. Evilásio foi enfático ao afirmar que Edvaldo Neto não terá participação direta ou indireta na nova gestão, uma medida técnica e política para evitar novos impedimentos judiciais e garantir a lisura dos atos administrativos. Enquanto Edvaldo declarou confiar no aliado e classificou a vitória nas urnas como "histórica", Evilásio foca em reconstruir a equipe técnica, sinalizando que a prioridade agora é a regularização do funcionamento da máquina pública, severamente afetada pelo clima de incerteza que se instalou na prefeitura desde o dia 14 de abril, quando a PF deflagrou a operação dois dias após o pleito.

Para o leitor brasileiro e, especificamente, para o cidadão paraibano, o desenrolar dos fatos em Cabedelo serve como um termômetro sobre a eficácia do combate à corrupção nas esferas municipais. O caso reforça a atuação rigorosa da Justiça Eleitoral e da Polícia Federal em monitorar eleitocalismos contaminados por práticas ilícitas. Os próximos meses serão decisivos: enquanto Evilásio tenta governar sob o escrutínio do Ministério Público e do Gaeco — aos quais ele se colocou à disposição —, o desenrolar do processo judicial de Edvaldo Neto definirá se haverá uma nova eleição ou se Cabedelo seguirá sob o comando interino de Cavalcanti até o final do mandato. A curto prazo, a expectativa gira em torno das primeiras medidas da anunciada reforma administrativa e da capacidade de Evilásio em isolar a gestão das influências externas investigadas.

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