Política

Maioria dos brasileiros defende indicação de mulher para vaga no Supremo, diz Datafolha

Levantamento mostra que 51% dos cidadãos veem como essencial a presença feminina na Corte; saber jurídico é o requisito técnico mais cobrado.

Redação 360 Notícia
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19 de maio de 2026 às 06:003 min
Maioria dos brasileiros defende indicação de mulher para vaga no Supremo, diz Datafolha
Foto: Reprodução
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Pesquisa Datafolha aponta que 51% dos brasileiros consideram essencial a indicação de uma mulher para a próxima vaga no STF. Levantamento destaca ainda a prioridade pelo saber jurídico (85%) e o impacto da rejeição política de nomes pelo Senado na percepção da força do governo.

Uma nova pesquisa realizada pelo instituto Datafolha revela um cenário de forte demanda social por diversidade no tabuleiro do Poder Judiciário brasileiro. Segundo o levantamento, a maioria da população — representada por 51% dos entrevistados — considera fundamental que a próxima indicação para o Supremo Tribunal Federal (STF) recaia sobre uma mulher. Este dado ganha relevância diante da atual configuração da Corte que, após a aposentadoria da ministra Rosa Weber, passou a contar com apenas uma magistrada feminina entre seus onze integrantes, a ministra Cármen Lúcia. O anseio por uma composição mais heterogênea reflete um debate crescente na sociedade sobre o distanciamento entre a demografia do país e a cúpula do Judiciário.

A percepção da necessidade de diversidade não se restringe apenas ao gênero. O estudo aponta que as pautas identitárias ganharam corpo na consciência civil, com 46% dos brasileiros afirmando ser "muito importante" que o próximo ocupante de uma cadeira no STF seja um magistrado negro ou possua um perfil religioso definido. Esses números indicam que, embora o tribunal seja um órgão essencialmente técnico, o cidadão comum passou a enxergar a representatividade como um elemento de legitimidade democrática. Historicamente, o Supremo foi composto majoritariamente por homens brancos, e a pressão popular por perfis que reflitam a pluralidade étnica e cultural do Brasil tem se tornado um fator de pressão política sobre o Palácio do Planalto.

O levantamento do Datafolha também evidencia um recorte ideológico acentuado sobre o tema. Entre os eleitores que manifestam intenção de voto no atual presidente, o apoio à promoção de minorias para o cargo de ministro é significativamente mais alto: 64% defendem a indicação de uma mulher e 60% pregam a escolha de um nome negro. Em contrapartida, os índices de apoio a esses critérios caem entre os eleitores da oposição, sugerindo que a pauta da diversidade no Judiciário é interpretada, muitas vezes, sob o prisma da polarização política que domina o país. Apesar dessas divergências de perfil, há um consenso quase absoluto quanto à qualificação técnica: 85% dos entrevistados exigem que o indicado possua um saber jurídico de excelência, colocando a competência formal acima de qualquer outra característica.

No campo da percepção política imediata, a pesquisa mediu o impacto da recente rejeição do nome de Jorge Messias pelo Senado Federal. Embora o episódio tenha sido tratado pelos meios de comunicação como uma derrota sensível para o Executivo, o grande público ainda se mostra alheio aos pormenores das movimentações em Brasília: 59% da população desconhece o fato. Todavia, entre a parcela que acompanhou o processo de rejeição, a visão é predominantemente negativa para o governo, com a maioria considerando que o revés político no Legislativo resultou em um enfraquecimento da imagem da atual gestão. Esse dado serve como alerta para a articulação política do governo em futuras sabatinas no Congresso.

Por fim, os dados revelam uma contradição interessante sobre o papel esperado do magistrado após a posse. A maioria expressiva, 64%, defende que o novo ministro mantenha postura de total independência em relação a partidos políticos. No entanto, 51% dos cidadãos acreditam que a fidelidade ao presidente que o indicou é, de certa forma, uma característica relevante ou esperada. Esse paradoxo reflete a ambiguidade com que o brasileiro encara o STF: uma instituição que deveria ser técnica e imparcial, mas que é percebida como uma engrenagem fundamental do jogo político nacional. Com os resultados em mãos, o governo enfrenta o desafio de equilibrar a exigência por capacitação técnica com o clamor social por uma Corte que seja o espelho da diversidade brasileira.

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