Oposição propõe prazo para presidência do Senado decidir sobre impeachment de ministros do STF
Projeto de resolução apresentado por Rogério Marinho fixa prazo de 30 dias para análise de pedidos de impedimento contra ministros da Suprema Corte.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) protocolou projeto de resolução que estabelece prazo de 30 dias úteis para o presidente do Senado decidir sobre pedidos de impeachment contra ministros do STF.
O cenário político no Congresso Nacional ganha novos contornos com a iniciativa do líder da Oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), que protocolou nesta sexta-feira (18) um projeto de resolução visando alterar o rito de análise de processos de impedimento. A proposta estabelece um prazo rígido de até 30 dias úteis para que a presidência da Casa, atualmente sob o comando de Davi Alcolumbre (União-AP), profira uma decisão terminativa sobre o recebimento ou arquivamento de pedidos de impeachment contra autoridades federais, com foco direto nos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A medida busca dar fim ao que parlamentares da ala oposicionista classificam como uma "gaveta perpétua", onde pedidos de afastamento de magistrados permanecem paralisados por tempo indeterminado sem qualquer apreciação formal. De acordo com o texto apresentado, ao expirar o prazo estipulado, o presidente do Senado perde a prerrogativa do silêncio, sendo obrigado a fundamentar sua decisão, seja para dar prosseguimento ao processo ou para determinar o seu arquivamento imediato por falta de justa causa ou requisitos formais.
No contexto atual, o regimento interno não prevê um cronograma específico para essa análise inicial, o que confere ao ocupante da presidência um poder discricionário considerado excessivo por críticos da atual gestão. Rogério Marinho argumenta que a ausência de prazos fere o princípio da eficiência administrativa e impede que o Poder Legislativo cumpra sua função fiscalizadora sobre os demais poderes da República. O movimento ocorre em um momento de tensões acentuadas entre o Legislativo e o Judiciário, especialmente em torno de decisões que envolvem inquéritos de grande repercussão e limites da liberdade de expressão.
Além de ministros do Supremo, a resolução afetaria o trâmite de processos contra o Procurador-Geral da República e outras autoridades cuja fiscalização é de competência exclusiva do Senado Federal. A estratégia da oposição é forçar uma resposta institucional diante de uma pressão crescente de parte do eleitorado, que demanda maior celeridade no exame de denúncias contra membros do Poder Judiciário. A proposta precisa agora passar pelas comissões temáticas da Casa, onde deve enfrentar forte resistência de blocos governistas e de senadores que defendem a manutenção do atual equilíbrio de forças entre as instituições.
Especialistas em direito constitucional apontam que a aprovação de tal resolução poderia gerar um conflito direto de competências e aumentar a instabilidade institucional. Por outro lado, defensores da proposta reiteram que o estabelecimento de prazos é uma prática comum em diversos outros ritos processuais e que a transparência no processo decisório é um pilar da democracia. Os próximos passos envolvem a articulação política para a inclusão do projeto na pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), etapa crucial para que a matéria chegue ao plenário para votação definitiva.
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Sobre este conteúdo
Autor: Antonio Marcos de Souza
Publicado: 19 de setembro de 2026 às 08:00
Atualizado: 19 de setembro de 2026 às 08:00
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