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Justiça condena autor de feminicídio cruel contra jovem acreana no Mato Grosso

Justiça de Mato Grosso condena Djavanderson de Oliveira Araújo a 29 anos de prisão por queimar viva ex-namorada acreana; crime incluiu perseguição e clonagem de celular.

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Redação 360 Notícia
27 de maio de 2026 às 21:003 min
Justiça condena autor de feminicídio cruel contra jovem acreana no Mato Grosso
Foto: Reprodução
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Djavanderson de Oliveira Araújo recebeu pena de 29 anos por queimar viva a ex-namorada, Juliana Valdivino, em Paranatinga. O julgamento durou mais de 15 horas e condenou o réu também por stalking e danos psicológicos sob forte emoção da família.

A justiça do Mato Grosso proferiu uma sentença contundente em um caso que chocou a opinião pública pela crueldade dos detalhes. Djavanderson de Oliveira Araújo, de 22 anos, foi condenado a 29 anos e três meses de reclusão em regime fechado pelo assassinato de sua ex-companheira, a jovem acreana Juliana Valdivino da Silva, de apenas 18 anos. O julgamento, realizado por meio de júri popular na cidade de Paranatinga, interior do estado, encerrou um ciclo jurídico de mais de um ano e meio, marcado por pedidos de adiamento e intensos debates sobre a violência de gênero no Brasil.

O crime, ocorrido em setembro de 2024, destaca-se pela premeditação e pelos requintes de tortura emocional e física. Conforme as investigações conduzidas pela 1ª Promotoria de Justiça Criminal de Paranatinga, Araújo não aceitava o término do relacionamento de cerca de três anos. No dia do fatídico ataque, ele adquiriu álcool em um posto de combustíveis e atraiu a vítima até a residência onde haviam morado juntos, sob o pretexto de que ela retirasse pertences pessoais. No local, o condenado despejou o líquido inflamável sobre o corpo da jovem e ateou fogo, causando queimaduras em 90% de sua superfície corporal. Juliana lutou pela vida em uma unidade de tratamento intensivo em Cuiabá, mas não resistiu aos ferimentos graves e faleceu 15 dias após o atentado.

Além da condenação por feminicídio qualificado, o réu foi sentenciado pelos crimes de stalking (perseguição) e danos psicológicos. As provas colhidas durante a instrução processual revelaram um comportamento controlador e obsessivo: o técnico de manutenção de celulares teria clonado o aparelho da vítima para monitorar seus passos e utilizado ameaças de suicídio como ferramenta de chantagem emocional para impedir que ela seguisse com sua vida de forma independente. No dia do assassinato, o Ministério Público apontou que, além do ataque físico, Araújo impediu a saída de Juliana da casa, configurando um cenário de cárcere e privação de liberdade antes da execução final.

A repercussão do caso no Acre, terra natal de Juliana, foi de profunda consternação. Rosicleia Magalhães, mãe da vítima e professora, expressou um misto de alívio e frustração com o veredito. Em declarações emocionadas, ela ressaltou que, embora a lei brasileira tenha sido aplicada, a pena de quase 30 anos parece insuficiente diante da perda irreparável e da brutalidade empregada. Para a família, a prisão serve como uma resposta social necessária, mas não apaga a dor da ausência de uma vida interrompida no auge da juventude. "Vidas não têm preço", afirmou a mãe, ecoando o sentimento de milhares de famílias que perdem entes queridos para a violência doméstica no país.

O desfecho deste caso reforça a urgência de discussões sobre a eficácia das medidas protetivas e o monitoramento de agressores em casos de separação conflituosa. Especialistas em direito penal e direitos humanos apontam que a condenação por stalking e danos psicológicos acumulada ao feminicídio demonstra uma evolução no entendimento jurídico sobre o ciclo da violência, que raramente começa com a agressão física fatal, mas se constrói através de assédio e controle constante. Com a sentença, Djavanderson permanece sob custódia do sistema penitenciário de Mato Grosso, enquanto a família de Juliana busca em Rio Branco o fechamento simbólico de um luto que mobilizou dois estados brasileiros.

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