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Crise no PSD: Ala histórica reage a plano de chapa com Zema e Caiado para 2026

Membros históricos da legenda reagem contra proposta de vice externo e exigem protagonismo de nomes vinculados às raízes do partido.

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Redação 360 Notícia
27 de maio de 2026 às 21:003 min
Crise no PSD: Ala histórica reage a plano de chapa com Zema e Caiado para 2026
Foto: Reprodução
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A articulação de uma ala bolsonarista do PSD para unir Ronaldo Caiado e Romeu Zema em 2026 gerou uma forte reação interna. Membros históricos da legenda assinaram manifesto classificando como 'inaceitável' a ausência de nomes do partido na chapa majoritária, expondo rachas na sigla de Kassab.

O cenário político brasileiro para as eleições presidenciais de 2026 começa a apresentar as primeiras fissuras internas nas grandes legendas. O Partido Social Democrático (PSD), uma das maiores forças políticas do país em termos de capilaridade municipal e representação no Congresso Nacional, enfrenta um momento de tensão interna. O estopim da discórdia é a movimentação de uma ala mais alinhada ao bolsonarismo que defende a formação de uma chapa encabeçada pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), tendo como vice o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). A proposta de ceder a vaga de vice a um nome externo ao partido acendeu o sinal de alerta entre os fundadores e quadros históricos da sigla.

A crise ganhou corpo após a circulação de um manifesto interno contundente, no qual membros da "velha guarda" do PSD criticam abertamente a possibilidade de a legenda não ocupar um espaço de protagonismo direto na chapa majoritária com nomes de seus próprios quadros. O texto destaca que o PSD foi criado, há 15 anos, com o objetivo de abrigar a excelência da vida pública nacional e que seria "inaceitável" que o candidato a vice-presidente não possuísse vínculos profundos com a história e as raízes da agremiação. O incômodo é alimentado pelo fato de que Ronaldo Caiado, embora goze de prestígio, é visto por parte da legenda como um ator externo que não deveria ditar os rumos da composição sem a devida contrapartida interna.

O líder do PSD na Câmara dos Deputados, Antônio Brito, foi a público para tentar amenizar o impacto da rebelião. Segundo o parlamentar, embora o desconforto tenha sido real e palpável, a situação já teria sido controlada pelas instâncias partidárias. No entanto, o manifesto que circula nos bastidores sugere que a insatisfação é profunda. Os signatários do documento sugerem alternativas caseiras para a composição da chapa, citando nomes como o ex-ministro Roberto Brant (Minas Gerais), o ex-deputado Eduardo Sciarra (Paraná) e Alda Marcoantonio, que preside o PSD Mulher. A mensagem central é de que o partido possui capital humano suficiente para não precisar "importar" um vice, especialmente um nome como Zema, que pertence a outra estrutura partidária consolidada.

Para o leitor brasileiro, essa disputa interna no PSD é um reflexo das dificuldades que a centro-direita enfrenta para se unificar em torno de uma alternativa viável para o próximo pleito presidencial. Gilberto Kassab, o cacique nacional do partido, tem equilibrado a legenda entre o apoio ao atual governo federal e a manutenção de uma identidade independente. A ala bolsonarista do partido deseja uma guinada definitiva à direita, unindo forças com Caiado e Zema, enquanto a ala original do PSD preza pela manutenção do espaço institucional e pelo fortalecimento dos líderes que ajudaram a construir o partido desde sua fundação. Essa queda de braço revela que o PSD, apesar de sua imagem pragmática, possui correntes ideológicas distintas que agora colidem frontalmente.

O desdobramento desse conflito pode definir se o PSD chegará a 2026 como o "fiel da balança" ou como o protagonista de uma chapa própria. A pressão por nomes como Roberto Brant ou Eduardo Sciarra indica uma tentativa de retorno às origens programáticas da legenda, em vez de apenas servir de suporte para projetos políticos alheios. Nos próximos meses, a habilidade de Kassab em mediar essas demandas será testada ao limite. O mercado político observa atentamente se a legenda conseguirá manter a harmonia prometida no manifesto ou se a fragmentação interna acabará por enfraquecer o projeto de poder do partido no plano nacional. Por ora, a "rebelião" mostra que o PSD não está disposto a entregar seu capital eleitoral sem garantir que suas raízes sejam respeitadas no tabuleiro sucessório.

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