Economia

Governo Lula reage a decisão dos EUA de listar facções como terroristas e cita riscos ao Pix

Governo brasileiro alerta que classificação de facções como organizações terroristas pelos EUA pode paralisar sistemas financeiros e prejudicar o Pix.

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Redação 360 Notícia
29 de maio de 2026 às 13:003 min
Governo Lula reage a decisão dos EUA de listar facções como terroristas e cita riscos ao Pix
Foto: Reprodução
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O governo Lula prepara resposta oficial à decisão dos EUA de classificar PCC e CV como grupos terroristas, alertando para prejuízos econômicos e ameaças ao funcionamento do Pix devido a possíveis sanções financeiras internacionais.

O cenário diplomático e econômico brasileiro enfrenta uma nova turbulência com a recente decisão do governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em resposta imediata, o Palácio do Planalto prepara uma nota oficial para detalhar os riscos sistêmicos que essa medida impõe à soberania financeira do Brasil. A grande preocupação do governo Lula reside no fato de que tal designação permite que Washington aplique sanções severas a instituições financeiras que processem transações ligadas, direta ou indiretamente, a essas organizações, o que pode atingir o coração do sistema bancário nacional.

A classificação de grupos criminosos comuns como "entidades terroristas" por parte do Departamento de Estado norte-americano altera drasticamente o protocolo de fiscalização de fluxos de capitais globais. Para o Brasil, o impacto mais temido recai sobre o Pix, o sistema de pagamentos instantâneos que revolucionou a economia popular e a inclusão bancária no país. O governo federal argumenta que a medida americana cria uma vulnerabilidade para o sistema, uma vez que os EUA alegam que a agilidade do Pix pode ser explorada para a lavagem de dinheiro por parte das facções. No entanto, autoridades brasileiras defendem a robustez dos mecanismos de controle do Banco Central e veem na postura de Washington uma potencial interferência em uma infraestrutura digital estratégica.

Internamente, a reação de Lula foi discutida em reuniões de alto nível com o chanceler Mauro Vieira, o assessor internacional Celso Amorim e os ministros da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e da Fazenda, Dario Durigan. O objetivo central é manter uma postura de cooperação institucional, evitando um confronto direto com Donald Trump, mas deixando claro que o combate ao crime organizado já é uma prioridade nacional que não depende de rótulos estrangeiros. O Planalto pretende enfatizar que a decisão americana pode gerar um "overcompliance" por parte de bancos globais, que, por medo de sanções dos EUA, podem começar a bloquear ou restringir transferências internacionais vindo do Brasil, prejudicando o Produto Interno Bruto (PIB) e o comércio exterior.

No campo político, a questão ganha contornos de disputa eleitoral antecipada. O governo busca vincular a medida das autoridades americanas a movimentos da oposição brasileira, especificamente citando a recente visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Departamento de Estado dos EUA. A narrativa governista sugere que a pressão para a classificação das facções como terroristas teve influência de aliados de Trump no Brasil, o que agora coloca em risco uma ferramenta utilizada diariamente por milhões de brasileiros. Ao associar a possibilidade de instabilidade no Pix com as ações da oposição, o governo Lula tenta mobilizar o apoio popular e blindar sua gestão econômica de críticas externas.

O desdobramento desse impasse dependerá da capacidade de diálogo entre as agências de inteligência financeira de ambos os países. Se os Estados Unidos insistirem na tese de insegurança do Pix, o Brasil pode ser compelido a adotar critérios de vigilância ainda mais rígidos, o que poderia tornar o sistema menos prático ou mais burocrático para o usuário final. Além disso, existe o risco real de isolamento financeiro parcial se o sistema de compensação internacional (SWIFT) começar a ver o Brasil como um país de alto risco para o financiamento do terrorismo. O que se espera para as próximas semanas é uma ofensiva diplomática brasileira para separar a imagem das ferramentas financeiras estatais das atividades ilícitas operadas por criminosos locais.

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