Economia

Mercosul e Canadá avançam em negociações para acordo histórico de livre comércio

Com 60% do texto já definido e recorde nas exportações brasileiras, bloco sul-americano e governo canadense aceleram rodadas técnicas para oficializar pacto econômico.

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Redação 360 Notícia
30 de maio de 2026 às 16:003 min
Mercosul e Canadá avançam em negociações para acordo histórico de livre comércio
Foto: Reprodução
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Após rodada de negociações com a presença de ministros, Mercosul e Canadá avançam em cinco capítulos de acordo comercial. Recorde de exportações brasileiras impulsiona tratativas que podem ser concluídas ainda em 2026. Diversificação de mercados é foco central de ambos os lados.

As negociações voltadas para a criação de uma área de livre comércio entre o Mercosul e o Canadá ganharam um impulso decisivo na última semana. Em nota conjunta divulgada pelos Ministérios das Relações Exteriores, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e da Agricultura, o governo brasileiro confirmou o encerramento de mais uma rodada intensiva de discussões técnicas. O encontro, que reuniu representantes dos quatro países do bloco sul-americano e autoridades canadenses, resultou na finalização de cinco capítulos estratégicos do futuro tratado, sinalizando um amadurecimento significativo nas tratativas bilaterais que visam a redução de barreiras tarifárias e a facilitação do fluxo de investimentos.

Este avanço ocorre em um momento de reposicionamento estratégico para o Mercosul. Após um período de estagnação que durou entre 2021 e 2023, as conversas foram retomadas com vigor no ano passado. O contexto geopolítico atual, marcado por instabilidades nas cadeias de suprimentos globais e pela necessidade de diversificação de parceiros, tem servido como catalisador. Para o Canadá, o acordo representa uma oportunidade vital de diminuir sua histórica dependência econômica dos Estados Unidos, buscando no Hemisfério Sul novos mercados para suas tecnologias e serviços. Já para o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, o tratado significa a abertura de portas em uma das economias mais desenvolvidas e estáveis do G7, com alto poder aquisitivo.

De acordo com o ministro Márcio Rosa, cerca de 60% do texto do acordo já está em estágio de consenso. A rodada mais recente contou com a presença do ministro de Comércio Internacional do Canadá, Maninder Sidhu, e focou em temas sensíveis e complexos. Entre os tópicos debatidos e os capítulos que avançaram, destacam-se o comércio de bens e serviços, regulamentações para o setor financeiro, regras de origem, propriedade intelectual e mecanismos de salvaguardas bilaterais. Além desses pontos técnicos, houve um foco especial em agendas modernas, como o desenvolvimento sustentável e o comércio inclusivo, que são exigências crescentes em tratados internacionais contemporâneos para garantir que o crescimento econômico respeite padrões ambientais e sociais.

A relevância econômica dessa parceria já é evidenciada pelos números atuais, mesmo sem a vigência de um acordo de livre comércio. Em 2023, o intercâmbio comercial entre Brasil e Canadá atingiu a marca de US$ 10,4 bilhões. As exportações brasileiras para o território canadense bateram um recorde histórico, somando US$ 7,3 bilhões, um salto de quase 15% em relação ao período anterior. O Canadá consolidou-se como o oitavo principal destino dos produtos brasileiros, com forte presença de matérias-primas essenciais, como minérios de cobre, níquel e alumínio, além de produtos manufaturados de alto valor agregado, como aeronaves e equipamentos de engenharia civil. O setor agropecuário também mantém um papel protagonista, enviando volumes expressivos de café e açúcar para o mercado canadense.

O cenário para a conclusão definitiva do pacto é otimista, com fontes diplomáticas indicando que o fechamento total pode ocorrer ainda em 2026. Há, inclusive, uma expectativa interna de que os pontos remanescentes sejam resolvidos antes de setembro deste ano, caso o ritmo de trabalho seja mantido. A próxima etapa já tem data e local definidos: uma nova rodada de negociações ocorrerá no próximo mês em Brasília. Este encontro na capital federal será crucial para debater os "nós" restantes, especialmente em áreas onde a harmonização regulatória exige maior esforço institucional. A possível visita do primeiro-ministro Mark Carney ao Brasil nos próximos meses deve selar o compromisso político necessário para que as burocracias técnicas cedam lugar à implementação prática do acordo, abrindo uma nova era de cooperação econômica transcontinental.

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