Economia

Governo Federal cria centro de IA em Campinas para modernizar serviços no GOV.BR

Investimento de R$ 60 milhões em Campinas visa personalizar atendimento ao cidadão e garantir soberania de dados nacionais.

Por
Redação 360 Notícia
29 de maio de 2026 às 20:003 min
Governo Federal cria centro de IA em Campinas para modernizar serviços no GOV.BR
Foto: Reprodução
Compartilhar

Com investimento de R$ 60 milhões, o CPQD em Campinas abrigará um novo núcleo de Inteligência Artificial voltado para serviços públicos federais. O projeto busca garantir soberania digital ao processar dados sensíveis no Brasil e facilitar o acesso da população ao portal GOV.BR.

A cidade de Campinas, reconhecida como um dos principais polos tecnológicos da América Latina, passará a abrigar um centro estratégico para a modernização da máquina pública nacional. Nesta sexta-feira (29), o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD) oficializou o lançamento da pedra fundamental de um novo núcleo especializado na criação de aplicativos e soluções baseadas em Inteligência Artificial (IA) para o governo federal. Com um investimento estimado em R$ 60 milhões, o projeto visa transformar a interação entre o Estado e o cidadão, tornando os serviços públicos mais ágeis, personalizados e acessíveis. A cerimônia contou com a presença da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, que destacou o potencial da nova estrutura para elevar a produtividade do setor público a patamares inéditos.

O empreendimento faz parte de um movimento mais amplo de transformação digital que busca consolidar o portal GOV.BR como a principal porta de entrada para a cidadania digital no país. O novo núcleo funcionará como um laboratório de alta tecnologia, equipado com unidades de processamento gráfico (GPUs) de última geração, essenciais para o treinamento de modelos de linguagem de grande escala e ferramentas de IA Generativa. O objetivo central é que o governo deixe de ser apenas reativo e passe a ter uma postura proativa, utilizando algoritmos para antecipar necessidades da população e facilitar o acesso a benefícios e informações. A previsão é que a unidade esteja plenamente operacional até o final deste ano, reformulando prédios já existentes no complexo do CPQD para atender aos requisitos técnicos exigidos por esse tipo de computação intensiva.

Um dos pilares mais fundamentais desse projeto, segundo pontuou a ministra Esther Dweck, é o fortalecimento da soberania tecnológica e digital do Brasil. Atualmente, grande parte dos dados sensíveis da administração pública e das informações cadastrais dos cidadãos brasileiros está hospedada em servidores de empresas estrangeiras, as chamadas "nuvens internacionais". Com a nova infraestrutura em Campinas, o país ganha a capacidade de repatriar esse processamento de dados, garantindo que informações estratégicas sobre programas sociais e identidades civis sejam tratadas e armazenadas em território nacional. "A soberania digital passa por saber onde nossos dados estão e ter a capacidade tecnológica de operá-los sem dependência externa total", explicou a ministra, reforçando que este é um passo decisivo para um país em desenvolvimento que possui um ecossistema de inovação robusto.

Apesar de o prédio físico ainda estar em fase de adequação, as iniciativas práticas vinculadas ao projeto — sob o nome de Inspire (Inteligência Artificial no Serviço Público com Inovação, Responsabilidade e Ética) — já apresentam resultados concretos. Durante o evento, foram apresentados balanços de chatbots que já utilizam IA para auxiliar a população brasileiros em temas críticos. Exemplos disso são o suporte para recuperação de contas no GOV.BR, que chega a realizar 2 mil atendimentos diários, e as ferramentas de auxílio para estudantes no Sistema de Seleção Unificada (SISU) e no Programa Farmácia Popular. A ideia é que essas ferramentas evoluam para sistemas de conversação natural, permitindo que pessoas com menor maturidade digital consigam resolver pendências burocráticas apenas pelo comando de voz ou texto simples, eliminando as barreiras das interfaces complexas.

Para o futuro próximo, a expectativa é que o modelo desenvolvido em Campinas seja replicado ou estendido para estados e municípios, criando uma rede nacional de inteligência aplicada à administração pública. Além do atendimento direto ao público, a IA será utilizada nos bastidores para "limpar" e organizar bases de dados governamentais. Um exemplo citado por Paulo Curado, diretor do CPQD, foi a qualificação de 77 milhões de registros de endereços, onde a IA identificou inconsistências e duplicidades em cadastros de diferentes órgãos. Esse saneamento de dados é vital para garantir que benefícios cheguem corretamente ao destino e que o planejamento urbano e social seja feito sobre bases reais. Com cerca de 350 pesquisadores envolvidos, o núcleo promete ser o motor de uma revolução na governança digital brasileira nos próximos anos.

#Inteligência Artificial#CPQD#Campinas#Governo Federal#Esther Dweck#Inovação#Tecnologia#GOV.BR

Leia também