Fraude com nafta em combustíveis: operação mira esquema criminoso e danos em veículos
Segunda fase da Operação Carbono Oculto atinge esquema em 5 estados; especialistas alertam para riscos de perda total do motor.

A segunda fase da Operação Carbono Oculto revela esquema de desvio de nafta para adulteração de gasolina em cinco estados. Especialistas alertam que a fraude causa danos severos em bicos injetores, catalisadores e no motor, além de gerar prejuízos tributários milionários através de sonegação.
Uma força-tarefa deflagrou nesta quinta-feira (28) a segunda fase da Operação Carbono Oculto, com o objetivo de desmantelar um sofisticado esquema de fraude no setor de combustíveis que opera em cinco estados brasileiros. A investigação revelou um cenário de crimes que vão desde a sonegação fiscal e lavagem de dinheiro até a adulteração física de produtos vendidos ao consumidor final. O foco central da operação é o desvio de nafta, um solvente petroquímico importado com carga tributária reduzida, que estava sendo comercializado ilegalmente como gasolina comum em diversos postos de abastecimento, enganando motoristas e gerando lucros exorbitantes para organizações criminosas.
A fraude possui um caráter duplo: enquanto o fisco é lesado pela entrada de um produto com impostos menores que acabam não sendo devidamente declarados ou convertidos em outros fins, o proprietário do veículo arca com prejuízos mecânicos severos. De acordo com especialistas do setor automotivo, a nafta é um derivado de petróleo que, embora guarde semelhanças visuais e de composição química com a gasolina, possui uma octanagem muito inferior. Essa característica técnica é crucial, pois compromete a eficiência da combustão no motor, resultando no fenômeno conhecido como "batida de pino" e na perda imediata de potência durante acelerações ou retomadas de velocidade.
Os danos causados pela mistura de nafta ou metanol — outro composto frequentemente utilizado pela criminalidade — são extensos e atingem praticamente todo o sistema de alimentação do carro. Relatos técnicos indicam que a substância é capaz de destruir componentes desde a linha de saída no tanque até o escape. Entre as peças mais afetadas estão os bicos injetores, que sofrem corrosão acelerada, a bomba de combustível, que perde pressão de trabalho, e o catalisador. Este último, responsável por filtrar gases poluentes, acaba obstruído por resíduos não queimados, liberando um pó branco característico que sinaliza o fim da vida útil do componente, gerando custos de reparo que podem ultrapassar os milhares de reais.
Para o motorista brasileiro, identificar o combustível adulterado não é uma tarefa simples apenas pelo olhar, mas o veículo costuma emitir sinais claros de "intoxicação". Um dos principais indicadores é o acendimento da luz de injeção eletrônica no painel, frequentemente acompanhado por uma dificuldade crônica de partida em manhãs frias. Além disso, o consumo de combustível tende a despencar substancialmente, com reduções de até 30% na autonomia do tanque. Especialistas orientam atenção redobrada ao odor que exala do escapamento: um cheiro excessivamente forte, químico ou semelhante a produtor podres é um indício clássico de que o produto no reservatório não segue as normas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O desdobramento desta segunda fase da Operação Carbono Oculto coloca em evidência a necessidade de fiscalização rígida sobre a cadeia de solventes no Brasil. A utilização de metanol como adulterante, por exemplo, tem sido associada à movimentação financeira de facções criminosas, como o PCC, que utilizam o setor de energia para lavar dinheiro ilícito. Para o consumidor, a recomendação de segurança é sempre exigir a nota fiscal e, em caso de suspeita imediata após o abastecimento, procurar um mecânico de confiança para realizar a drenagem do sistema antes que os componentes internos do motor sofram danos irreversíveis, como o travamento de válvulas ou a deformação de pistões.






