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Fé e emoção marcam a descida da imagem original de Nossa Senhora de Nazaré em Belém

A tradicional cerimônia na Basílica Santuário de Belém marca o Mês Mariano e aproxima a 'Rainha da Amazônia' dos devotos antes da quinzena de outubro.

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Redação 360 Notícia
25 de maio de 2026 às 23:003 min
Fé e emoção marcam a descida da imagem original de Nossa Senhora de Nazaré em Belém
Foto: Reprodução
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Em noite de forte emoção em Belém, a imagem original de Nossa Senhora de Nazaré foi retirada do Glória para ficar mais próxima dos devotos. A cerimônia, que acontece apenas duas vezes ao ano, marca o encerramento do Mês Mariano na Basílica Santuário e atrai milhares de fiéis para um momento de renovação espiritual e gratidão.

Na noite deste domingo (25), a capital paraense foi palco de uma das demonstrações de fé mais intensas e tradicionais do calendário católico brasileiro. Milhares de fiéis ocuparam as dependências da Basílica Santuário de Nazaré, em Belém, para acompanhar a descida da imagem original de Nossa Senhora de Nazaré. O evento, que faz parte das comemorações do Mês Mariano, é um dos raros momentos em que a peça histórica, normalmente mantida no Glória — o ponto mais alto do altar-mor da igreja —, é colocada em um patamar mais próximo dos devotos, simbolizando um gesto de acolhimento e proximidade materna entre a divindade e seus seguidores.

A cerimônia possui um peso histórico e simbólico incomensurável para a região amazônica. A peça que desce do altar não é uma réplica usada nas procissões de rua, mas sim a imagem encontrada pelo caboclo Plácido no ano de 1700, às margens do igarapé Murutucu. Por ser uma relíquia de valor inestimável e fragilidade física, ela permanece protegida em um nicho blindado durante quase todo o ano. Sua movimentação só ocorre em duas datas específicas: em maio, para encerrar as festividades dedicadas a Maria, e em outubro, durante a quinzena do Círio de Nazaré, a maior manifestação religiosa do Brasil.

A celebração deste último domingo foi conduzida pelo arcebispo metropolitano de Belém, Dom Julio Endi Akamine, com a colaboração dos padres barnabitas, que são os guardiões do santuário. Durante a liturgia, o clima de emoção tomou conta dos presentes conforme a imagem deslizava lentamente do topo do altar. Para o público brasileiro, e especificamente para o paraense, esse ato representa uma renovação de votos e a oportunidade de estar "face a face" com o ícone que move milhões de pessoas anualmente. A descida é acompanhada por cânticos tradicionais e pétalas de flores, reforçando a identidade cultural e espiritual da Amazônia.

A importância desse evento transcende o aspecto puramente religioso e alcança dimensões sociais e econômicas para o estado do Pará. O Mês Mariano serve como um termômetro para o Círio de outubro, movimentando o turismo religioso e fortalecendo o sentimento de pertencimento da comunidade local. Para os devotos que participaram da missa, o momento foi de apresentar pedidos, pagar promessas e expressar gratidão. A organização do evento destacou que a logística para a descida da imagem envolve protocolos rigorosos de segurança e conservação, dada a antiguidade da imagem esculpida em madeira, que mede pouco mais de 28 centímetros.

Com o encerramento da subida após o período de visitação próxima, os olhos dos fiéis e das autoridades eclesiásticas já se voltam para o planejamento do Círio de Nazaré, que ocorre no segundo domingo de outubro. A descida de maio funciona como um prelúdio espiritual, preparando o caminho para as grandes romarias que tomam as ruas de Belém. A expectativa é que, nos próximos meses, a intensificação das atividades pastorais e a organização das diretorias da festa ampliem ainda mais o alcance da devoção mariana, reafirmando Belém como o coração pulsante da fé cristã no norte do país e um ponto de referência para o catolicismo mundial.

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