EUA preparam indiciamento criminal contra o ex-líder cubano Raúl Castro
Acusação deve focar no abate de aviões em 1996; medida ocorre em meio a sanções e crise energética em Cuba.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos planeja acusar formalmente Raúl Castro pelo abate de aviões em 1996, intensificando a pressão sobre o governo cubano em meio a uma crise energética na ilha.
O governo dos Estados Unidos está preparando um indiciamento formal contra Raúl Castro, ex-presidente cubano e figura central da revolução na ilha. Segundo informações de fontes do Departamento de Justiça americano, o processo foca na responsabilidade de Castro sobre o episódio ocurrido em 1996, quando caças cubanos derrubaram duas aeronaves civis da organização "Irmãos ao Resgate", resultando em mortes. A acusação, que depende da validação de um grande júri, é vista como um movimento iminente dentro da estratégia de pressão de Washington sobre o regime de Havana.
A potencial ação judicial ocorre em um contexto de severa deterioração das relações diplomáticas e econômicas entre os dois países. Sob a administração de Donald Trump, os EUA intensificaram sanções e restrições de combustível, o que tem levado Cuba a enfrentar um colapso energético sem precedentes, com apagões atingindo mais de 60% do território. Ao mesmo tempo que avança com a linha punitiva, a Casa Branca condiciona o alívio de sanções e a cooperação em segurança a mudanças estruturais e ideológicas profundas no governo cubano.
Enquanto o cenário jurídico contra Raúl Castro se desenha, existe um impasse sobre o envio de ajuda humanitária. Washington ofereceu cerca de 100 milhões de dólares para mitigar a crise na ilha, mas o presidente Miguel Díaz-Canel rebateu a proposta, afirmando que o fim do bloqueio econômico seria a forma mais eficaz e direta de solucionar o sofrimento da população. Havana indicou que pode aceitar os recursos estadunidenses, desde que o repasse seja intermediado por instituições religiosas, como a Igreja Católica.






