Mudanças na Lei da Nacionalidade em Portugal provocam ações judiciais de investidores estrangeiros
Investidores estrangeiros ameaçam processar o Estado português após endurecimento das regras para obtenção de cidadania e aumento nos prazos de residência.

Uma alteração na Lei da Nacionalidade em Portugal gerou revolta entre investidores estrangeiros, que planejam processar o Estado. As novas regras ampliaram os prazos para obtenção de cidadania, afetando detentores dos chamados vistos gold.
A recente reformulação da Lei da Nacionalidade em Portugal desencadeou uma onda de descontentamento entre investidores estrangeiros, que agora ameaçam levar o Estado aos tribunais. O grupo, composto por mais de 500 detentores dos chamados "vistos gold" — majoritariamente norte-americanos e brasileiros —, alega que a alteração unilateral das regras de residência fere o princípio da segurança jurídica. A principal queixa recai sobre a ampliação dos prazos para a obtenção da cidadania, que subiu de cinco para sete anos para cidadãos da CPLP e da União Europeia, e para dez anos para as demais nacionalidades.
Especialistas em direito internacional apontam que a controvérsia não reside apenas no endurecimento das normas, mas na falta de um regime de transição que proteja quem já havia iniciado o processo. Sem uma regulamentação clara que respeite os termos vigentes no momento do investimento inicial, muitos doadores de capital sentem que os contratos celebrados com o governo português foram desrespeitados. O movimento jurídico coletivo busca contestar o que classificam como quebra de confiança institucional, em um cenário onde muitos já injetaram montantes significativos na economia local.
O programa de vistos dourados, criado em 2012 para mitigar os efeitos da crise econômica, já passou por diversas transformações, incluindo o fim da modalidade por compra de imóveis devido à crise habitacional no país. Atualmente, o foco está em fundos de capital de risco e projetos culturais ou científicos, com aportes que variam entre 250 mil e 500 mil euros. Apesar do volume de capital atraído, a União Europeia mantém críticas severas ao modelo, alertando para riscos de segurança e lavagem de dinheiro no espaço Schengen.
Enquanto os investidores de alto poder aquisitivo mobilizam recursos para processos judiciais, milhares de imigrantes comuns enfrentam obstáculos semelhantes, com seus planos de naturalização adiados indefinidamente. O sistema administrativo português lida hoje com um represamento crítico, acumulando mais de 100 mil processos pendentes na Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA). Embora o governo tenha três meses para detalhar as novas regulamentações, a morosidade do Estado continua sendo o maior entrave tanto para grandes investidores quanto para trabalhadores estrangeiros.






