Economia

EUA intensificam corrida tecnológica com aporte de US$ 2 bi em computação quântica

Administração americana destina US$ 2 bilhões para IBM e parceiros para garantir liderança na corrida tecnológica global.

Por
Redação 360 Notícia
22 de maio de 2026 às 13:003 min
EUA intensificam corrida tecnológica com aporte de US$ 2 bi em computação quântica
Foto: Reprodução
Compartilhar

O governo dos Estados Unidos confirmou um pacote de US$ 2 bilhões voltado ao setor de computação quântica, beneficiando gigantes como a IBM. A medida busca frear o avanço chinês e garantir que tecnologias críticas de processamento e segurança sejam desenvolvidas e fabricadas em solo americano.

Em um movimento decisivo para consolidar sua hegemonia tecnológica, o governo dos Estados Unidos anunciou a liberação de US$ 2 bilhões em investimentos destinados à indústria de computação quântica. O pacote bilionário visa acelerar o desenvolvimento de uma tecnologia que promete revolucionar o processamento de dados global, garantindo que o país mantenha a liderança frente a competidores globais, notadamente a China. O anúncio reflete a continuidade e o fortalecimento de políticas industriais voltadas para setores críticos, colocando empresas emblemáticas como a IBM e a GlobalFoundries no centro de uma nova corrida armamentista digital.

A iniciativa está amparada pelo CHIPS and Science Act, legislação originalmente aprovada para revitalizar a produção local de semicondutores e que agora expande seu alcance para o horizonte quântico. O contexto atual é de intensa disputa geopolítica: a computação quântica não é apenas uma evolução incremental, mas um salto de paradigma. Diferente dos computadores clássicos, que utilizam bits (0 ou 1), as máquinas quânticas utilizam qubits, permitindo cálculos simultâneos e ultravelozes. Para os formuladores de políticas em Washington, dominar essa ferramenta é essencial não apenas para a economia, mas para a segurança nacional, uma vez que tais sistemas têm o potencial de quebrar protocolos de criptografia atuais em questão de segundos.

Dentro do cronograma de repasses, a IBM desponta como a principal beneficiária, com a previsão de receber US$ 1 bilhão. Esse montante será canalizado para a criação de uma nova unidade dedicada exclusivamente à fabricação de chips quânticos em escala industrial. Outra fatia significativa, de US$ 375 milhões, será destinada à GlobalFoundries para a construção de uma infraestrutura fabril especializada em componentes para essa nova geração de hardware. Empresas de nicho e startups consolidadas no setor, como D-Wave, Rigetti Computing e Infleqtion, receberão aportes de aproximadamente US$ 100 milhões cada, enquanto a Diraq contará com um suporte de até US$ 38 milhões para solucionar gargalos técnicos específicos da área.

O mercado financeiro reagiu com entusiasmo imediato à notícia. Após a divulgação oficial pelo Departamento de Comércio, as ações das companhias listadas registraram valorizações expressivas, oscilando entre 6% e 31%. Para o leitor brasileiro, esse movimento sinaliza uma reconfiguração nas cadeias globais de suprimentos. Com o governo Trump intensificando a estratégia de "reshoring" — ou seja, trazer a produção de volta para solo americano —, o Brasil e outros mercados emergentes podem observar uma concentração ainda maior de tecnologia de ponta no hemisfério norte. Além disso, as aplicações práticas dessa tecnologia em áreas como biotecnologia, para a criação de novos fármacos, e na otimização de mercados financeiros, podem ditar o ritmo de crescimento econômico global nas próximas décadas.

Embora o foco seja o avanço científico, a decisão também carrega matizes políticas. Observadores destacam as conexões entre integrantes da atual administração e o setor privado beneficiado, como o papel de Emil Michael, do Pentágono, em movimentos de mercado anteriores da D-Wave. No entanto, o consenso em Washington parece ser o de que, independentemente de filiações políticas, a soberania tecnológica americana depende de um ecossistema quântico robusto. Os próximos passos incluem a implementação das novas plantas fabris e o monitoramento dos marcos de inovação, enquanto o mundo observa como essa injeção de capital transformará a teoria quântica em aplicações cotidianas que podem ir da inteligência artificial avançada à segurança cibernética impenetrável.

#computação quântica#IBM#tecnologia#Estados Unidos#semicondutores#inovação#economia global#CHIPS Act

Leia também