Ônibus do Rio aceitarão PIX e cartões após dificuldades com fim do dinheiro em espécie
Com o fim do uso de dinheiro em espécie previsto para 30 de maio, prefeitura acelera implementação de PIX e cartões nos validadores.

Prefeitura do Rio anuncia que ônibus aceitarão PIX e cartões de crédito antes do fim do pagamento em dinheiro, marcado para 30 de maio. Medida visa facilitar transição para sistema Jaé após relatos de passageiros barrados.
A cidade do Rio de Janeiro se prepara para uma transformação profunda na forma como os cidadãos interagem com o transporte público municipal. O prefeito Eduardo Cavaliere utilizou as redes sociais nesta sexta-feira (22) para anunciar a inclusão de novas modalidades de pagamento eletrônico nos coletivos, visando mitigar as dificuldades enfrentadas pelos passageiros com o fim iminente do uso de dinheiro em espécie. Segundo o chefe do Executivo carioca, os validadores do sistema Jaé, instalados nos ônibus e estações, passarão a aceitar pagamentos via PIX, além de cartões de débito e crédito. A medida surge como uma resposta estratégica à resistência e aos problemas operacionais relatados por usuários durante os primeiros testes de exclusividade digital em linhas específicas.
O cronograma estabelecido pela administração municipal é apertado e exige atenção dos usuários. A funcionalidade do pagamento por PIX será implementada antes do dia 30 de maio, data limite estipulada para que as cédulas e moedas deixem definitivamente de circular no interior dos ônibus municipais. Já a modalidade de débito e crédito por aproximação deve ser introduzida logo em seguida, seguindo um calendário detalhado que será apresentado em uma coletiva de imprensa na próxima semana. Esta mudança segue o modelo já consolidado em sistemas como o BRT e o VLT, onde o pagamento eletrônico é a única via de acesso, mas sua expansão para as linhas de ônibus convencionais representa um desafio logístico e social sem precedentes para a capital fluminense.
O contexto atual, no entanto, é de incerteza e transtornos para parte da população. A linha 634, que conecta a Ilha do Governador à Tijuca, serviu como o primeiro laboratório para esta política e os resultados iniciais apontam para uma falta de preparo de muitos passageiros. Relatos de pessoas impossibilitadas de seguir viagem por portarem apenas dinheiro em espécie tornaram-se comuns, evidenciando o abismo informativo que ainda persiste. Para contornar essa falha de comunicação e acessibilidade, a Prefeitura anunciou que, a partir de terça-feira (26.05), o cartão unitário — carregado para uma única viagem — passará a ser comercializado em 700 bancas de jornal em toda a cidade, além de outros 1.100 pontos de recarga física, totalizando quase 2 mil locais de atendimento ao público que prefere ou depende de transações presenciais.
De acordo com dados fornecidos pela Secretaria Municipal de Transportes (SMTR), cerca de 8% das passagens no Rio ainda são pagas em dinheiro, o que corresponde a um volume expressivo de aproximadamente 220 mil embarques diários. Esse público é composto majoritariamente por trabalhadores por conta própria, idosos com menor familiaridade tecnológica e pessoas em situação de vulnerabilidade que não possuem acesso a contas bancárias ou smartphones. A transição para o sistema Jaé também altera a dinâmica das integrações tarifárias: a partir do fim de maio, o benefício da integração entre dois ônibus só será concedido para quem utilizar o cartão específico ou o aplicativo oficial, enquanto o Riocard permanecerá restrito às integrações com linhas intermunicipais.
A discussão sobre o fim do dinheiro nos transportes também chegou à esfera legislativa. A Comissão de Transporte e Trânsito da Câmara dos Vereadores realizou uma audiência pública para debater os impactos sociais dessa digitalização forçada. Enquanto empresários do setor defendem a medida como uma forma de aumentar a segurança (reduzindo assaltos) e a agilidade nos embarques, representantes dos passageiros demonstram preocupação com a exclusão digital. O próximo passo da prefeitura inclui a extensão dessa obrigatoriedade para o transporte complementar, como as vans e os chamados "cabritinhos", embora ainda não exista uma data definida para essa etapa. Para o cidadão comum, o momento pede adaptação rápida e a aquisição do novo cartão Jaé para evitar ficar a pé a partir do próximo mês.






