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Irmãos lideravam rede que lavou R$ 77 milhões em churrascarias de Roraima

Esquema liderado por irmãos utilizava empresas de fachada e depósitos camuflados com esterco para girar milhões em Boa Vista.

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Redação 360 Notícia
22 de maio de 2026 às 17:003 min
Irmãos lideravam rede que lavou R$ 77 milhões em churrascarias de Roraima
Foto: Reprodução
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O Ministério Público de Roraima denunciou 12 pessoas envolvidas em um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico que movimentou R$ 77,8 milhões em Boa Vista. O grupo, liderado por irmãos, utilizava churrascarias e imóveis de luxo para ocultar lucros de cargas de skunk transportadas por aviões.

Uma sofisticada rede criminosa que utilizava o setor gastronômico de Boa Vista para mascarar lucros oriundos do narcotráfico foi desmantelada após as denúncias apresentadas pelo Ministério Público de Roraima (MPRR). A acusação formal aponta que os irmãos Nereu Douglas Fialho de Melo e Gabriel Fialho de Melo comandavam um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou aproximadamente R$ 77,8 milhões. O caso, que ganhou repercussão pela audácia operacional, revela como organizações criminosas têm se infiltrado na economia formal para ocultar a origem de capitais obtidos por meio da venda de entorpecentes em larga escala na região Norte do país.

As investigações, que culminaram na Operação Geminus, deflagrada pela Polícia Civil de Roraima, detalham a existência de uma estrutura hierarquizada e funcional. Segundo o órgão ministerial, os irmãos Fialho de Melo exerciam a liderança centralizada da organização, sendo responsáveis pela coordenação logística, fornecimento de veículos para o transporte de cargas ilícitas e pela gestão de imóveis de luxo. Além dos líderes, outras dez pessoas, incluindo familiares diretos como a esposa de Gabriel, Tamyris da Silva Liberato dos Santos, e sua sogra, Roseli da Silva Santos Simão, foram denunciadas por integrarem o grupo e auxiliarem na ocultação de patrimônio e na facilitação das atividades do tráfico.

Um dos pontos mais alarmantes da denúncia é a utilização de churrascarias populares na capital roraimense como fachadas para a lavagem de dinheiro. O uso de empresas operantes no ramo de alimentação permitia que o grupo injetasse o dinheiro do crime no fluxo de caixa legítimo, facilitando a realização de transferências fracionadas e a aquisição de bens de alto valor em nome de "laranjas". Essa prática de misturar receitas legais com recursos provenientes do crime é um dos métodos clássicos para ludibriar o fisco e as autoridades de controle financeiro, mas a discrepância entre o faturamento real dos estabelecimentos e as movimentações bancárias milionárias acabou por levantar suspeitas cruciais para o avanço do inquérito.

A logística para a chegada dos entorpecentes em Roraima também demonstra o poderio financeiro da organização. De acordo com o Ministério Público, a droga era transportada por via aérea, utilizando aeronaves que pousavam em pistas clandestinas em áreas remotas do estado. Uma vez em solo, a carga era levada para um imóvel de alto padrão situado no bairro Caranã, em Boa Vista. Durante as diligências, a polícia apreendeu cerca de 270 quilos de "skunk" — uma variante mais potente da maconha. Para evitar a fiscalização durante o transporte terrestre, os criminosos escondiam os fardos de droga entre sacos de estopa e estrume bovino, na tentativa de que o forte odor do adubo camuflasse o cheiro característico do entorpecente.

A denúncia do promotor de Justiça Carlos Alberto Melotto busca não apenas a punição severa pelos crimes de tráfico de drogas, associação criminosa e lavagem de dinheiro, mas também a desarticulação financeira definitiva do clã. Com o bloqueio de contas e a exposição das empresas de fachada, o Judiciário tenta interromper o ciclo de retroalimentação do crime organizado na região. Para o sistema de segurança pública de Roraima, o caso serve como um marco no enfrentamento a crimes que unem a violência do tráfico à sofisticação da engenharia financeira, demonstrando que a vigilância sobre a economia local é ferramenta essencial no combate às facções que atuam na fronteira Norte do Brasil.

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